Brasília, 22 - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, criticou há pouco o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, por sua manifestação a favor da extinção da Justiça do Trabalho. Em ato realizado no auditório Nereu Ramos, da Câmara, com a presença de cerca de 500 sindicalistas da Força Sindical, Paulinho disse que os trabalhadores não aceitam que o senador "pegue a bandeira de acabar com a Justiça do Trabalho para ser candidato a Presidência da República". "Ele que arranje outra bandeira", afirmou o sindicalista. Paulinho disse também que o pretexto da corrupção para se acabar com a Justiça do Trabalho, não é aceitável.
Segundo Paulinho, a corrupção está em toda a parte, inclusive no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional. "Aqui também tem corrupção", afirmou. "Não se pode pegar um juiz que construiu um prédio a mais e querer acabar com a Justiça do Trabalho por isso", acrescentou o sindicalista, referindo-se ao ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, acusado de intermediar a obra superfaturada do fórum trabalhista de São Paulo. "Aqui dentro tem muito bandido. Quando pegam um deles, tiram", disse Paulinho, em referência ao Congresso Nacional.
Ele também acusou o relator da comissão especial que analisa a emenda de reforma do Judiciário, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), de estar querendo acabar com a Justiça do Trabalho para receber em troca um Ministério e propôs que sejam organizadas passeatas, no País inteiro, com advogados, juízes e funcionários da Justiça do Trabalho "para ver se acorda e se ensina um pouco o senador Antônio Carlos Magalhães", afirmou. Os sindicalistas aplaudiram por quase um minuto o presidente da Câmara, Michel Temer, a pedido do deputado Wilson Santos (PMDB-MT) que lembrou o fato de Temer ter enfrentado o senador Antônio Carlos Magalhães, em favor da manutenção da Justiça do Trabalho. Temer está na Europa, devendo retornar a Brasília somente amanhã.

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