São Paulo, 01 (AE) - Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, aos 42 anos eleito presidente da Força Sindical, é hoje o homem que comanda o maior programa de qualificação profissional do País, embora tenha apenas o primeiro grau completo. "E nem adianta que eu não vou voltar a estudar", afirma. "Gosto de agitação, não suporto ficar num banco escolar."
Além disso, ele crê que o esforço de ascensão social e cultural de muitos sindicalistas, pela via da universidade, é um sonho menor e até mesmo equivocado, comparado à riqueza da vida política.
Nascido em Porecatu, no Paraná, Paulinho foi trabalhador rural até os 13 anos. Mais tarde, em Londrina, foi vendedor de doces, depois responsável pela captação de anúncios necrológicos num jornal local, laboratorista de fotografia e, por fim, jogador infantil e juvenil do Londrina Futebol Clube.
Quando, bem jovem, fez as malas para vir para São Paulo, muita gente achou que ele viria em busca da fama no esporte. Quem pensou assim, acertou em parte: ele partiu, sim, para a fama, mas na política sindical, embora não tivesse isso claro na época.
Recém-chegado, em 1976 arrumou emprego numa metalúrgica como inspetor de qualidade - função já extinta. Em Franco da Rocha, onde morava, logo envolveu-se com a vida partidária - no PCdoB - e em 1982 acabou o candidato mais votado a vereador da cidade, pelo PT. Não foi eleito porque a sigla não conseguiu representação suficiente para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal.
Depois dessa experiência, continuou militando, mas não mais no PCdoB ou no PT, e sim na categoria metalúrgica. O currículo acabou sendo um desastre: cinco demissões por justa causa, por causa de envolvimento em greves e agitações. Em 1987, ele passou a integrar a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, tornou-se presidente em 1994 e este ano foi eleito presidente da Força Sindical.
Depois do PCdoB e do PT, Paulinho foi também do PTB. Pouco afeito a enquadramentos ideológicos, acabou saindo de todas as siglas e hoje é independente, embora não pense em ficar assim para sempre. "Vida partidária é uma coisa boa, mas estou dando um tempo", diz.
Enquanto nenhum partido tenta conquistar e domesticar o sindicalista de maior projeção atualmente no País, Paulinho atira para todos os lados. Ele vem criticando nomes do PSDB, do PFL, do PTB, do PMDB e de quem mais ignorar os problemas dos filiados à Força Sindical - o maior deles, o desemprego que ameaça destruir o poder político e econômico dos sindicatos.

mockup