Paula Thomaz, condenada a 18 anos de prisão pela morte da atriz Daniela Perez, ocorrida em dezembro de 1992, vai poder sair da carceragem da Polinter, em Niterói, no Grande Rio, durante o dia, para trabalhar e estudar. Mas ela só poderá usufruir do benefício se estiver matriculada em alguma escola ou se conseguir um emprego com carteira assinada. A decisão é do juiz da Vara de Execuções Penais, Carlos Alfredo Flores da Cunha, que concedeu o direito de Paula cumprir o resto da pena em regime semi-aberto.
O juiz entendeu que, apesar de a condenação ainda não ter sido julgada em todas as instâncias, o regime semi-aberto é válido porque a pena máxima para assassinato é de 30 anos e Paula já cumpriu um sexto da pena a que foi condenada. Ele disse também ter levado em conta os laudos da Comissão Técnica do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) e a ficha de comportamento que não registram ‘‘tentativas de fugas, falta disciplinares e ótimo relacionamento com os demais detentos e funcionários’’.
A decisão do juiz contraria um parecer do Ministério Público que considera os laudos do Desipe ‘‘superficiais’’. Mas Flores da Cunha, levou em conta ainda que o homicífio qualificado do qual Paula é acusada ocorreu antes da vigência da lei que tornou tal delito crime hediondo, o que impediria a prisão em regime semi-aberto. Com isso, Paula poderá solicitar, em breve, permissão para visitas a sua casa.
O advogado Paulo Ramalho, defensor de Guilherme de Pádua, ex-marido de Paula Thomaz e acusado de co-autor do crime, ficou surpreso com a decisão do juiz Flores da Cunha, mas disse que não vai pedir o mesmo benefício para seu cliente. ‘‘Isso não interessa a Guilherme porque ele não quer ficar no Rio, mas voltar para junto de sua família, em Minas Gerais’’. explicou. ‘‘Além disso, o regime semi-aberto não é seguro para Guilherme porque ele é conhecido e algum fanático poderia atentar contra ele’’.
A novelista Glória Perez, mãe de Daniela, soube da concessão de regime semi-aberto para Paula Thomaz ontem à tarde e não escondeu sua revolta. ‘‘A decisão do júri popular foi desrespeitada por esse juiz, ou seja, o julgamento não passou de encenação, gasto inútil de dinheiro público, porque essa assassina foi condenada a 18 anos e está saindo com cinco anos’’, disse Glória.
‘‘Pode ter certeza que essa assassina vai fugir do país e tudo está sendo preparado para isso’’, continuou Glória. ‘‘Na sentença dizem que ela vai sair para trabalhar e estudar, não é? Então vamos ver se ela vai fazer isso ou voltar para a Galeria Alaska’’.Arquivo FolhaPaula Thomaz foi condenada a 18 anos pela morte da atriz Daniela Perez, ocorrida em dezembro de 92Agência Estado

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