Patronato Penitenciário de Londrina completa 25 anos de reinserção social
Unidade integra o Complexo Social do município com atendimentos jurídico, social e psicológico a pessoas em regime aberto e egressos
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de maio de 2026
Unidade integra o Complexo Social do município com atendimentos jurídico, social e psicológico a pessoas em regime aberto e egressos
O Patronato Penitenciário de Londrina celebra 25 anos de atuação da instituição, referência regional no acompanhamento de pessoas em cumprimento de pena em meio aberto e na promoção da reinserção social de egressos do sistema prisional.
Criado em Londrina em 2001, o programa atua no acompanhamento e fiscalização de pessoas em regime aberto, liberdade condicional e monitoramento eletrônico, além de oferecer assistência jurídica, psicológica, social e pedagógica.
Desde 2024, a unidade passou a integrar o Complexo Social de Londrina, estrutura que reúne quatro equipamentos públicos voltados ao atendimento de pessoas vinculadas ao sistema de Justiça criminal. Segundo a coordenadora do Complexo Social, Eliane Videira Tacca Francisqueti, a mudança ampliou a capacidade de articulação entre políticas públicas e fortaleceu o atendimento individualizado.
“O complexo hoje abrange o Patronato Penitenciário, o Escritório Social, a CIAP (Central Integrada de Alternativas Penais) e o Nupem (Núcleo de Atendimento à Pessoa Monitorada). Cada um atua em uma frente específica, mas todos trabalham em conjunto nesse processo de reinserção social”, explica.
O Escritório Social acompanha egressos do sistema prisional em encaminhamentos para documentação civil, trabalho, estudo e cursos profissionalizantes. Já a CIAP atende pessoas submetidas a penas alternativas e prestação de serviços à comunidade, enquanto o Nupem acompanha pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica.
“Elas recebem orientação, encaminhamento para trabalho e apoio social. Em muitos casos, depois da retirada da tornozeleira, acabam sendo contratadas pelas próprias empresas parceiras”, afirma.
Parceria com a UEL
O Patronato também tem parceria com a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e instituições conveniadas para que os atendidos tenham acesso a cursos profissionalizantes e ensino superior. “A gente trabalha para que essas pessoas tenham oportunidades reais, com trabalho, estudo, fortalecimento familiar e até apoio religioso, quando necessário”, ressalta.
Segundo Eliane, o acompanhamento contínuo tem impacto direto na redução da reincidência criminal. “As pessoas que conseguimos acompanhar mais de perto apresentam uma reincidência mínima. Muitas vezes elas precisam apenas de oportunidade, direcionamento e apoio”, afirma.

Mudança de mente
Presente na cerimônia na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) realizada no último dia 21 para celebrar os 25 anos do Patronato, o empresário do ramo de informática Maicon Júnior de Souza conta que teve duas passagens pelo sistema prisional. A primeira, aos 19 anos, durou dois anos. Dois anos depois, voltou a ser privado de liberdade em uma condenação de 45 anos.
Dentro do sistema, começou a perceber que não queria seguir vivendo fora da lei e começou a buscar medidas de remição de pena, iniciando seu processo de reinserção social. Com a progressão de pena, deixou o sistema prisional em 2013 e afirma que encontrou no Patronato um suporte decisivo para reconstruir a vida fora do crime. “Foi uma mudança de mente. Não foi só mudança de vida”, resumiu.
Hoje, aos 46 anos, casado, pai de uma menina e dono de uma empresa com quatro unidades em Londrina, ele recorda do acompanhamento psicológico, jurídico e social ao longo do processo de reinserção, fundamentais para dar segurança ao .seu processo. “Saber que existia uma porta onde eu poderia buscar ajuda me trouxe segurança. O Patronato abriu caminhos e me mostrou que existiam outras possibilidades”, diz Souza.
Segundo ele, o apoio recebido também o incentivou a buscar qualificação profissional e empreender. “Passei pelo Sebrae, aprendi estratégias comerciais e fui construindo minha empresa. Hoje são 11 anos de portas abertas”, conta.
Atualmente, Souza também colabora com o trabalho da instituição, auxiliando no encaminhamento de pessoas atendidas pelo Patronato para oportunidades de emprego. “O Patronato pôde contar comigo também. A gente tenta encorajar outras pessoas a entender que existe outro caminho”, destacou.
Dois dias antes da solenidade, ele recebeu oficialmente a extinção definitiva da pena. “Hoje eu posso falar dessa história de cabeça erguida. O Patronato foi o oposto do sistema prisional. Ele dá credibilidade, confiança e incentivo para recomeçar”, afirmou.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



