O Patronato Penitenciário de Londrina celebra 25 anos de atuação da instituição, referência regional no acompanhamento de pessoas em cumprimento de pena em meio aberto e na promoção da reinserção social de egressos do sistema prisional.

Criado em Londrina em 2001, o programa atua no acompanhamento e fiscalização de pessoas em regime aberto, liberdade condicional e monitoramento eletrônico, além de oferecer assistência jurídica, psicológica, social e pedagógica.

Desde 2024, a unidade passou a integrar o Complexo Social de Londrina, estrutura que reúne quatro equipamentos públicos voltados ao atendimento de pessoas vinculadas ao sistema de Justiça criminal. Segundo a coordenadora do Complexo Social, Eliane Videira Tacca Francisqueti, a mudança ampliou a capacidade de articulação entre políticas públicas e fortaleceu o atendimento individualizado.

“O complexo hoje abrange o Patronato Penitenciário, o Escritório Social, a CIAP (Central Integrada de Alternativas Penais) e o Nupem (Núcleo de Atendimento à Pessoa Monitorada). Cada um atua em uma frente específica, mas todos trabalham em conjunto nesse processo de reinserção social”, explica.

O Escritório Social acompanha egressos do sistema prisional em encaminhamentos para documentação civil, trabalho, estudo e cursos profissionalizantes. Já a CIAP atende pessoas submetidas a penas alternativas e prestação de serviços à comunidade, enquanto o Nupem acompanha pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica.

“Elas recebem orientação, encaminhamento para trabalho e apoio social. Em muitos casos, depois da retirada da tornozeleira, acabam sendo contratadas pelas próprias empresas parceiras”, afirma.

Parceria com a UEL

O Patronato também tem parceria com a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e instituições conveniadas para que os atendidos tenham acesso a cursos profissionalizantes e ensino superior. “A gente trabalha para que essas pessoas tenham oportunidades reais, com trabalho, estudo, fortalecimento familiar e até apoio religioso, quando necessário”, ressalta.

Segundo Eliane, o acompanhamento contínuo tem impacto direto na redução da reincidência criminal. “As pessoas que conseguimos acompanhar mais de perto apresentam uma reincidência mínima. Muitas vezes elas precisam apenas de oportunidade, direcionamento e apoio”, afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Patronato Penitenciário de Londrina completa 25 anos de reinserção social

Mudança de mente

Presente na cerimônia na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) realizada no último dia 21 para celebrar os 25 anos do Patronato, o empresário do ramo de informática Maicon Júnior de Souza conta que teve duas passagens pelo sistema prisional. A primeira, aos 19 anos, durou dois anos. Dois anos depois, voltou a ser privado de liberdade em uma condenação de 45 anos.

Dentro do sistema, começou a perceber que não queria seguir vivendo fora da lei e começou a buscar medidas de remição de pena, iniciando seu processo de reinserção social. Com a progressão de pena, deixou o sistema prisional em 2013 e afirma que encontrou no Patronato um suporte decisivo para reconstruir a vida fora do crime. “Foi uma mudança de mente. Não foi só mudança de vida”, resumiu.

Hoje, aos 46 anos, casado, pai de uma menina e dono de uma empresa com quatro unidades em Londrina, ele recorda do acompanhamento psicológico, jurídico e social ao longo do processo de reinserção, fundamentais para dar segurança ao .seu processo. “Saber que existia uma porta onde eu poderia buscar ajuda me trouxe segurança. O Patronato abriu caminhos e me mostrou que existiam outras possibilidades”, diz Souza.

Segundo ele, o apoio recebido também o incentivou a buscar qualificação profissional e empreender. “Passei pelo Sebrae, aprendi estratégias comerciais e fui construindo minha empresa. Hoje são 11 anos de portas abertas”, conta.

Atualmente, Souza também colabora com o trabalho da instituição, auxiliando no encaminhamento de pessoas atendidas pelo Patronato para oportunidades de emprego. “O Patronato pôde contar comigo também. A gente tenta encorajar outras pessoas a entender que existe outro caminho”, destacou.

Dois dias antes da solenidade, ele recebeu oficialmente a extinção definitiva da pena. “Hoje eu posso falar dessa história de cabeça erguida. O Patronato foi o oposto do sistema prisional. Ele dá credibilidade, confiança e incentivo para recomeçar”, afirmou.

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