Patrões e emprergados defendem Justiça trabalhista
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 20 (AE) - Representantes de empregados e de associações patronais ouvidos hoje pela Comissão da Reforma do Judiciário na Câmara se declararam contra o fim da Justiça trabalhista. No entanto, todos defenderam a modernização da área. Para o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Canindé Pegado, a permanência da Justiça do Trabalho será bandeira da entidade. "Somos favoráveis à modernização, mas não ao seu fim; trata-se de uma justiça social
que corrige erros do sistema."
De acordo com Pegado, a reforma do Judiciário não pode vir em separado da modernização dos Códigos Civil e Penal e da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
"Os processos trabalhistas baseiam-se nessas leis e, se elas não forem modificadas, a agilização sonhada nunca acontecerá", afirmou.
De acordo com o assessor-jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ericsson Crizelli, a entidade deve apresentar um estudo à comissão sobre a modernização da Justiça Trabalhista.
O representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antônio Carlos Navarro, destacou que a comissão acha necessária a existência de uma Justiça do Trabalho, apesar de a entidade ser a favor da extinção do juiz classista, projeto que deve entrar na pauta do Senado na próxima semana, tendo sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo Navarro, contudo, a idéia é que a justiça trabalhista fosse modernizada e só julgasse questões jurídicas trabalhador-patrão e deixasse as questões salariais para "negociações internas".
Hoje, a comissão decidiu ouvir dia 4 os depoimentos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, do ministro da Justiça, Renan Calheiros, e do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. Os três aceitaram os convites, segundo a assessoria da comissão.


