Patrimônio natural sofre contaminação
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De São Paulo 
O Brasil trata mal suas águas. Campeão mundial em águas superficiais, com 12% das reservas do globo, o País também ostenta, embora dividindo com os vizinhos Uruguai, Paraguai e Argentina, o Aquífero Guarani, maior reservatório natural de água subterrânea do mundo. Esse imenso patrimônio natural somado a outros espalhados pelo território nacional, entretanto, enfrenta problemas de contaminação e exploração desordenada que podem comprometer seu uso em um futuro próximo.
''Estamos perdendo tempo para regulamentar a exploração das águas subterrâneas. Enquanto isso, a contaminação avança a passos largos'' , alerta o professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Aldo Rebouças.
A continuar a uso irracional, com a construção de poços sem controle, as águas subterrâneas podem enfrentar as mesmas dificuldades das superficiais, vítimas de todo tipo de poluição e descaso. Estatísticas não oficiais dão conta da existência de 1 milhão de poços no Brasil, 700 mil dos quais clandestinos. As águas subterrâneas enfrentam poluidores como as lâmpadas fluorescentes fabricadas com mercúrio e depositadas sem critério nos lixões, agrotóxicos em geral, fossas sépticas e cemitérios. Os resíduos da decomposição de matérias orgânicas penetra no solo e contamina os lençóis freáticos.
A população ainda não se conscientizou das implicações ambientais do ato de, por exemplo, desmatar áreas de mananciais, com o assoreamento dos rios e poluição das nascentes. ''Ainda vivemos a ilusão de que a água é um recurso infinito, embora o colapso do abastecimento seja uma realidade em muitos lugares'', resume a coordenadora de projetos da Fundação SOS Mata Atlântica, Maria Lúcia Ribeiro.


