Rio, 18 (AE) - O secretário de Previdência Complementar, Paulo Kliass, estima que o patrimônio das entidades de previdência fechada (fundos de pensão) dobre em quatro ou cinco anos. Hoje, o patrimônio é de R$ 110 bilhões. Mais de 2.100 empresas patrocinam cerca de 350 fundos, que em dezembro do ano passado aplicavam R$ 88 bilhões e englobavam uma população total de 6.400 pessoas.
Com as novas regras - como a permissão para que sindicatos e associações de classe possam constituir seus fundos -, "mais gente deve ter acesso", afirmou. Três projetos de lei complementar, que tratam da regulamentação do setor de previdência fechada, estão em tramitação no Congresso. Entre as propostas estão ainda a portabilidade - cláusula que estabelece que os associados possam carregar seu patrimônio ao trocar de fundo de pensão - e contribuição normal do patrocinador no máximo equivalente à do participante.
Kliass participou hoje da divulgação do Balanço Social da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A fundação foi responsável pela manutenção de 52.260 empregos no ano passado e bancou uma folha de pagamento de R$ 1,8 bilhão - 13% dos salários dos empregados de 86 das 100 empresas nas quais a Previ tinha participação em 1998, mais a própria fundação.
O presidente da Previ, Luiz Tarquínio, afirmou que deve concluir em cinco anos a reestruturação de sua carteira de renda fixa e renda variável. Os investimentos em renda variável, como ações, passarão de 57% do total para 45%. "Se o País tiver uma estabilidade econômica consolidada, poderemos priorizar novamente a renda variável", disse .
O limite que o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou para essas aplicações é de 50%, mas a Previ tinha autorização para exceder o patamar. Em renda fixa, a fundação aplica 22% a 23% dos recursos. Por enquanto, apenas 1,15% da carteira da Previ é gerida por terceiros, mas Tarquínio quer acelerar a diversificação.
A Previ também vai rever sua posição em 130 empresas, para reduzir investimentos. Deve sair das companhias em que tem pouca participação ou ações preferenciais. Mas pode manter as ações preferenciais das empresas mais tradicionais. "Vamos privilegiar empresas que paguem bons dividendos, tratem bem os acionistas e operem em setores com tecnologias não tão sujeitas a risco", explicou Tarquínio. Siderurgia, por exemplo, está menos atrelada a variações tecnológicas do que informática, por isso as aplicações no setor devem ser maiores.

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