Curitiba - Os cerca de 1,2 mil funcionários aposentados pelo Bamerindus correm o risco de perder patrimônio que eles detêm junto à Associação Bamerindus, que é a antiga associação dos funcionários do banco. Isso porque o banco HSBC, que comprou o Bamerindus em 1997, convocou assembléia para a próxima segunda-feira, com a intenção de mudar o estatuto da associação. A alteração prevê a incorporação dos 21,5 mil funcionários do HSBC, assim como seus dependentes, como sócios da associação.
O liquidante do Bamerindus, Sergio Prates, alega que a assembléia é ilegal e chama a atenção dos ex-funcionários do banco sobre o risco de perda de patrimônio. De acordo com o liquidante, a intervenção federal no banco ocorrida em 1997 não alcançou a associação, que permanece como patrimônio da massa falida.
Diz o estatuto da associação que qualquer mudança em seu teor, o presidente do banco precisa estar de acordo. Como o banco está sob intervenção, o interventor seria o responsável pela aprovação ou não do novo estatuto. Em caso de extinção da associação por morte de seus membros, o patrimônio deve ser revertido para a massa falida do banco.
Para dar ampla divulgação ao que considera uma manobra, o liquidante entrou com uma notificação junto à 15 Vara Cível de Curitiba, para que fosse publicado um edital na tentativa de dar amplo conhecimento aos ex-funcionários sobre a mudança de estatuto da Associação Bamerindus por parte do HSBC. A juíza Lilian Romero assina o edital que está sendo divulgado desde ontem através de jornais.
Na tentativa de regularizar a assembléia, a direção do HSBC convocou os funcionários do banco e também os ex-funcionários do Bamerindus a votar pela mudança do estatuto. Se houver a manifestação de um terço dos convocados, os estatutos serão alterados, inclusive o nome da associação, que passaria para Associação Brasil, aproveitando as iniciais AB de Associação Bamerindus, que ainda se mantém muito forte entre os funcionários.
A Associação Bamerindus foi criada em 1954 pelo fundador do banco Bamerindus, Avelino Vieira. Na avaliação do ex-presidente do banco, José Eduardo de Andrade Vieira, a associação conta com um patrimônio que supera R$ 80 milhões, em valiosas sedes de clubes de campo constituídos para recreação dos funcionários. Existem clubes nas principais capitais do País e em várias cidades do interior do Paraná.
''Tudo isso foi construído com doações do Bamerindus'', lembrou José Eduardo. ''Os associados devem estar conscientes que se votarem pela realização da assembléia de segunda-feira, mesmo que inadivertidamente, estarão votando pela perda desse patrimônio'', avisou.
De acordo com José Eduardo, se o HSBC tem interesse na associação ''por que não compra o patrimônio?'', perguntou. O HSBC informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre o assunto.

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