Patrimônio da América Latina tem um ano péssimo
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sábado, 26 de outubro de 2002
France Presse 
Paris - O patrimônio mundial da Unesco na América Latina teve um ano péssimo, com a acumulação de desastres naturais, humanos e econômicos, desde o incêndio que devastou o centro de Lima à tempestade que arrasou a ilha chilena de Chiloé, passando pela crise argentina, declarou Carmen Negrín, chefe da unidade América Latina e Caribe do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco.
''Neste ano os problemas se acumularam'', disse Carmen Negrín, acrescentando que ''quase sempre há terremotos, furacões ou inundações. Mas tudo junto, como ocorreu neste ano, é bastante incomum''.
Os primeiros desastres se produziram dias antes das festas de fim de ano. A série começou com o incêndio que arrasou a 29 de dezembro o bairro limenho de Mesa Redonda, com um saldo de 280 mortos.
Dois dias depois, a 31 de dezembro, a cidade brasileira de Goiânia (centro) sofreu terríveis inundações, apenas duas semanas após ter entrado na lista do patrimônio mundial. ''Houve pontes e casas destruídas'', explicou Negrín.
''Estamos trabalhando para restaurar pelo menos as casas mais típicas, mais significativas, e fazê-lo com os métodos clássicos, dando assim o exemplo. Quando restauramos, em princípio, utilizamos os mesmos métodos e o mesmo material que se utilizou originalmente''.
Dia 14 de março, ventos violentos derrubaram a torre da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Chonchi na ilha chilena de Chiloé, 1.220 km ao sul de Santiago. ''Foi preciso uma intervenção rápida já que era o princípio do inverno (austral)'', assinalou Negrín.
A crise econômica argentina também pesou na conservação do patrimônio. ''Tem sido muito difícil levar a cabo todas as atividades previstas de administração dos lugares. Argentina é um caso realmente dramático. É um país que tem a competência, a vontade, mas não tem os meios'', frisou Carmen Negrín.


