Pataxós vão ao STF pedir justiça
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quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Agência Folha Brasília 
Dida Sampaio/Agência Estado
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TristezaOs parentes do índio Galdino fizeram protesto ontem na parada de ônibus onde ele foi queimado vivoO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, defendeu ontem justa punição para os responsáveis pela morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, incendiado vivo em Brasília em 20 de abril passado. Mello afirmou que o crime foi um gesto insensato, de irracionalidade criminosa, indigno, profundamente covarde e desprezível, mas disse que os acusados devem ser julgados com respeito ao devido processo legal e ao amplo direito de defesa.
Ele deu essas declarações a um grupo de dez índios pataxó da tribo de Galdino, que morreu depois que cinco jovens, um deles menor de idade, atearam fogo em seu corpo enquanto ele dormia em uma parada de ônibus de Brasília. Mello afirmou que o clamor público em torno desse caso não deve influir no julgamento. Por mais justa que seja, a indignação ética da sociedade não pode afastar a prevalência de certos princípios constitucionais.
O presidente do STF preferiu não opinar sobre qual seria a punição adequada para os quatro jovens maiores de idade, ainda não julgados. Os índios pataxó não fizeram comentários a Mello sobre o crime. Eles pediram pressa ao STF no julgamento de duas ações propostas pela Funai para anular títulos de propriedade de terra em área que pertenceria à tribo, na Bahia. Em nome do grupo, o cacique Wilson Pataxó disse que a luta pela posse da área provocou, nos últimos 12 anos, a morte de 13 índios.
Os parentes do índio Galdino fizeram protesto ontem na parada de ônibus onde ele foi queimado. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes para apoiar os índios. Durante o protesto foi queimada uma cortina de jornais, simbolizando a morte de Galdino. Os índios realizaram o toré, dança típica, para pedir proteção aos espíritos. O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça recebem os índios amanhã.


