Pastrana, um primeiro ano com poucos avanços
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Yadira Ferrer 
Bogotá, 06 (AE-IPS) - O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, completa neste sábado (07) seu primeiro ano de governo em meio a uma profunda crise econômica e social, e com uma opinião internacional que começa a tornar-se adversa devido ao conflito armado interno.
As promessas de seu discurso de posse, no qual determinou como prioridades o início de um processo de paz com a guerrilha, reativar a economia e melhorar a imagem internacional do país, parecem difíceis de ser cumpridas.
O ex-chanceler Augusto Ramírez Ocampo, membro da Comissão Nacional de Conciliação, que promove a solução negociada do conflito, disse à IPS que a maior conquista do governo foi persistir no diálogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), maIor força guerrilheira do país. Ter levado as FARC à mesa de negociações "depois de sete anos de tentativas infrutíferas, arriscando-se ainda a um alto custo político, é muito positivo", afirmou.
Pastrana conseguiu, na reta final da campanha eleitoral, o apoio indireto das FARC, que desqualificaram seu rival mais próximo, o liberal Horacio Serpa, e em 9 de julho, uma semana depois de ganhar as eleições, se reuniu com o líder desse grupo guerrilheiro, Manuel Marulanda, conhecido como "Tiro Certo".
Nessa histórica reunião, Pastrana anunciou que nos 90 dias seguintes iniciaria o diálogo com as FARC. Ao mesmo tempo, o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda força guerrilheira da Colômbia, firmava em Maguncia, Alemanha, o "Acordo da Porta do Céu", com o qual iniciava seu processo de paz particular com a participação de organizações da sociedade civil.
Mas um ano depois, o diálogo com as FARC se encontra em seu pior momento devido às discrepâncias existentes para a constituição de uma Comissão Internacional de Verificação do processo de paz. Com o ELN, o diálogo está suspenso.
Ramírez Ocampo considerou que a intransigência dos líderes do ELN, que mantêm como reféns cerca de 80 pessoas que o governo pede para serem libertadas como condição para retomar o diálogo, e "algumas afrontas oficiais" conspiram contra a aproximação.
No plano econômico, Pastrana reconheceu há um ano que recebia o país com seus indicadores "gravemente avariados e suas finanças públicas destroçadas", e anunciou um Plano de Desenvolvimento que seria "a carta de navegação" para chegar a uma sociedade com crescimento e maior igualdade.
O esforço macroeconômico estaria dirigido "à urgente geração de empregos" e à criação de maiores estímulos ao investimento privado para reativar a produção.
Pastrana recebia um país com 16% de desempregados e inflação de 20%, e o crescimento da economia caíra de 3,05% em 1997 a 0,6%. Um ano mais tarde, a situação piorou em vez de melhorar, como esperava o presidente.
Oscar Arcos, do não-governamental Centro de Educação e Cultura Popular (CINEP), assegurou que a crise aguda vivida pela Colômbia durante os últimos quatro anos está estreitamente relacionada com a forma como levou-se a cabo o processo de abertura econômica.
Os analistas concordam que a crescente insegurança gerada pela escalada da guerra e a falta de resultados no diálogo de paz também incidem na deterioração atual da economia.
No encerramento do primeiro semestre deste ano, as cifras mostram um desemprego de 19,8%, o mais alto da década, e, segundo a Fundação para a Educação Superior e o Desenvolvimento (Fedesarrollo), não é prevista nenhuma melhora.
A inflação neste primeiro semestre caiu a 10%, mas enquanto o governo explica a queda com as medidas macroeconômicas adotadas, seus críticos a atribuem à recessão e ao alto desemprego.
Com a intenção de reverter a situação, o governo levou a cabo uma reforma tributária, duas desvalorizações, um plano de salvamento para o setor financeiro e firmou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que enviou sinais de confiança à comunidade internacional. Apesar disso, este acordo, que permitirá ao país receber um empréstimo de até US$ 5 bilhões, precisa do compromisso de adotar reformas estruturais e um plano de ajuste fiscal que melhore o mal-estar social.
O movimento sindical, que já recebeu o anúncio do congelamento de salários no setor estatal para este ano e uma reforma trabalhista que, consideram, afeta os interesses dos trabalhadores, anunciou para o dia 31 uma greve que seria a segunda a afrontar o atual governo.
O ex-ministro da Fazenda Rudolf Hommes criticou a ausência de política social do governo de Pastrana e advertiu para o perigo de uma crise social, caso continue "indiferente às necessidades dos mais pobres".
Segundo Luis Valencia, da Universidad de los Andes, a chamada "Diplomacia para a Paz" deu bons resultados a Pastrana no início. O presidente realizou duas visitas aos Estados Unidos no ano passado, nas quais recebeu total apoio do governo e do Congresso desse país para sua política de paz. Também recebeu respaldo dos membros da União Européia (UE) e de seus vizinhos latino-americanos.
Se a paz se consolidar, o apoio da comunidade internacional virá, "mas se fracassar, as pressões dos governos para evitar que o problema da violência atravesse suas fronteiras se acentuarão", disse Gustavo Zafra, da Universidad Javeriana.
A crescente presença de militares e assessores norte-americanos no território colombiano e as reiteradas declarações do chefe da agência antidrogas dos EUA, Barry McCaffrey, sobre os vínculos entre a guerrilha e o narcotráfico fizeram crescer rumores sobre uma possível intervenção.
Para o ex-chanceler Rodrigo Pardo, atual diretor do jornal El Espectador de Bogotá, há cada vez mais debates na comunidade internacional sobre o problema colombiano e suas consequências sobre os países vizinhos e a segurança da região.
No entanto, Pastrana assegurou reiteradamente que a Colômbia não constitui uma ameaça internacional e que confia na vontade de paz das FARC para chegar a um acordo que encerre o conflito armado interno.


