Pastore: alongamento de dívida é lobby argentino
São Paulo, 24 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Afonso Celso Pastore, disse agora há pouco em coletiva à imprensa, no Hotel Renaissance, que um calote na dívida pública interna teria o mesmo efeito do ocorrido com o presidente Fernando Collor de Mello. Fernando Henrique perderia o cargo e o caso deveria ser denominado de Fernando 2. Ele observou que no início deste ano houve boatos de calote na dívida pública interna que gerou um dia de muita tensão do mercado financeiro. A pressão social seria incontrolável caso o governo decidisse adotar uma moratória da dívida interna como aconteceu no governo Collor. Ele entende, no entanto, que o crescimento da dívida pública interna está ocorrendo de uma forma muito rápida devido aos altos juros pagos pelo governo para poder agora segurar a taxa inflacionária gerada pela liberação cambial. Ele é favorável que o governo adote um choque de credibilidade por meio de um ajuste profundo nas contas públicas. A desvalorização cambial deverá produzir um impacto inflacionário este ano, mas que poderá ser reduzido caso ocorra um superavit fiscal. Segundo ele, a recessão deste primeiro semestre deve ser profunda , o que deve dificultar a reindexação de salários. Pastore apresentou estudo demonstrando que o caso brasileiro está mais próximo ao do México em termos de impacto da desvalorização cambial. Na Asia, o repasse para os preços da desvalorização cambial acarretou uma inflação de 25% do valor da desvalorização anual. No caso do México, foi da ordem de 40% e Pastore não descarta que a inflação no Brasil este ano fique próxima de 20%.
O ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, disse que o alongamento da dívida pública interna para até 10 anos, com a utilização de um título público atrelado ao dólar, é preparatório do lobby argentino para que o País adote o "currency board". Por esse sistema, o Banco Central praticamente deixa de existir, afirma o economista, pois só poderá comprar dólares e não títulos públicos. A moeda brasileira fica completamente atrelada ao dólar. Segundo ele, há defensores dessa política dentro do governo, mas sua adoção somente atenderia a um desejo argentino de evitar uma queda em suas exportações para o Brasil, após a desvalorização do real. Ele afirmou que existem bancos também que têm defendido o Bonex (título cambial de 10 anos), pois apostam que a economia brasileira tenderá para o "currency board" (câmbio fixo).





