Pastore adverte para risco de indexação de salários e preços
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 24 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore afirmou que a inflação só ganha força este ano se houver a volta da indexação de preços e salários. "A memória inflacionária volta com a indexação", afirmou o economista. Segundo Pastore, o Índice de Preços ao Consumidor é o mais adequado para medir as taxas inflacionárias. O índice por atacado como o calculado pela Fundação Getúlio Vargas reflete pressões especulativas de curto prazo, afirma.
Segundo ele, o IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) demonstra perda de ritmo com tendência de desaceleração nas taxas inflacionárias nos próximos meses. É possível chegar a taxas inflacionárias inferiores a 20% até o fim do ano. Pastore previu que a balança comercial deve fechar este ano com superávit de US$ 7 bilhões. Para ele, os analistas que prevêem superávit máximo de US$ 5 bilhões para 99 devem errar em suas previsões. Pastore afirma que para o País alcançar a meta de US$ 11 bilhões de superávit acordada com o Fundo Monetário Internacional terá que haver uma "recessão bastante profunda".
A desvalorização cambial deve produzir efeito de aumento nas exportações este ano, apesar de diversos setores - como o agrícola - estarem registrando preços internacionais bastante deprimidos, afirmou.
De acordo com Pastore, o Brasil deve voltar a crescer dentro de um a dois anos. Na sua visão, o programa apresentado pelo País ao FMI é consistente em termos macroecônomicos. Ele acredita que o Brasil conseguirá chegar até ao fim do ano com juros menores e taxa de câmbio de R$ 1,70 por dólar.
Quanto à recessão, o ex-presidente do BC prevê queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB), puxada pelo setor industrial. Ele acredita, no entanto, que os setores de alimentos, bebidas, têxteis e confecções serão menos afetados do que os bens duráveis e de capital.
Para Pastore, o governo está conseguindo gerenciar com sucesso a dívida pública. A volta dos leilões de títulos prefixados foi medida eficiente de gestão da dívida mobiliário e a aquisição dos papéis pelo mercado demonstra expectativa de queda nas taxas de juros.
O economista afirmou que o BC "zerou" sua posição de mercado por meio da elevação do compulsório sobre os depósitos a prazo, com os bancos sendo "estimulados" a adquirir os títulos públicos.


