Pastoral do Migrante leva comida a brasiguaios
Lúcio Flávio Moura e
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A Pastoral do Migrante de Ciudad del Este vai levar hoje cestas básicas a 25 famílias de brasiguaios que estão impedidas de sair de suas casas na localidade rural de Puerto Índio, no Paraguai, a 120 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu. Desde o último sábado, cerca de 100 campesinos (sem-terra paraguaios) bloqueiam a única estrada que liga o povoado ao resto do país, em protesto contra o assassinato de um companheiro. O cerco impede que os brasiguaios saiam para fazer compras.
Ontem, a Pastoral iria solicitar ao Consulado do Brasil em Ciudad del Este que intermediasse junto à Polícia Nacional uma escolta para garantir a distribuição dos alimentos. Ligada à Igreja Católica, a entidade pede urgência porque o estoque de mantimentos das famílias está acabando.
Sob proteção policial, um oficial de Justiça entregou ontem mandados de reintegração de posse em favor de brasiguaios a campesinos que ocupam áreas que o Instituto de Bem-Estar Rural (IBR) similar ao Incra considerou legalizadas, em recente vistoria. A situação na região se agravou depois da morte do campesino, crime atribuído aos brasiguaios. Há seis meses, os campesinos iniciaram uma onda de invasão a terras de brasiguaios.
Após reunião em Ciudad del Este, ontem, o IBR divulgou um plano de metas para reduzir a tensão na região. As principais medidas são a aceleração do processo de regularização de terras na área de conflito e a realização de censo para apurar o número de lotes invadidos, de invasores e vítimas.





