Pastoral denuncia tortura nas cadeias do Brasil
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terça-feira, 08 de dezembro de 1998
Agência Estado 
No ano do cinquentenário da Declaração Universal dos Direitos do Humanos, a tortura continua uma prática comum nas prisões brasileiras, seja como meio de forçar confissões ou de manter uma pretensa disciplina baseada na cultura do terror.
Segundo a Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo, desde o início do ano dezenas de casos envolveram entre 400 e 450 presos no total, em locais como a Casa de Detenção, as celas do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri) e o Cadeião de Pinheiros.
No mais grave incidente ocorrido neste ano, 130 presos do Depatri denunciaram terem sido torturados em fevereiro, após uma visita de representantes da Pastoral Carcerária e de parlamentares às celas. Exames de corpo delito, feitos posteriormente pelo Instituto Médico Legal (IML), constataram lesões em 85% dos presos. Apesar das evidências, ninguém até agora foi punido.
A tortura por parte do Estado está disseminada hoje no Brasil, seja na investigação policial, em asilos, manicômios ou Febem, adverte o padre Francisco Reardon, coordenador nacional da Pastoral Carcerária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo.
O preso está na cadeia porque fez alguma coisa errada, mas muitas vezes quem toma conta dele é muito pior moralmente, porque permite a tortura, avalia o padre Reardon. A Pastoral estará sempre ao lado de quem é oprimido, mesmo que tenha feito algo de errado, porque o direito à vida é fundamental; nenhum ser humano pode oprimir outro homem.


