Representantes da Pastoral Carcerária denunciam uma série de maus-tratos e espancamentos que estariam sofrendo os presos do 33º DP, em Pirituba, na Capital paulista. Uma comissão formada por quatro membros da pastoral visitou ontem a carceragem do distrito e afirmou ter visto ‘‘cenas deprimentes’’. Segundo o padre Gunther Alois Zgubic, as celas estão lotadas de pessoas doentes, feridas e reclamando de falta de assistência. São 150 homens divididos em três celas. Cem são condenados.
Segundo o delegado Cláudio Rossine, o que a comissão presenciou foi um retrato da situação vivida pelo sistema policial. ‘‘Aqui não torturamos ninguém’’, defendeu-se, alegando que os próprios presos se machucam em tentativas de fuga - que acontecem quase todas as semanas.
O padre Milton dos Santos Caldas contou que esteve na delegacia no dia 27 para uma visita, o que acabou ficando para um outro dia por causa de uma tentativa de fuga. ‘‘Eu vi gente com ferimento à bala no pé, na coxa e marcas de cacetete’’, afirmou.
Ao final da visita, a comissão conversou com o delegado, que explicou as dificuldades que tem para levar os feridos ao hospital e fazer a transferência de alguns.
O delegado se comprometeu a passar o nome dos condenados e dos feridos, entre eles três portadores do vírus HIV, para a pastoral providenciar um advogado e a remoção dos doentes.

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