A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou ontem em Curitiba o espancamento de um agricultor sem-terra no município de Bituruna, na região sul do Estado, a 280 quilômetros da capital. Edivir Cardoso da Silva, 36 anos, teria sido cercado por quatro homens armados no dia 19 de abril próximo ao posto fiscal da PR-170. Segundo a CPT, ele foi espancado com coronhadas, socos e pontapés. Na fuga, Edivir bateu sua moto em outro veículo e ficou hospitalizado por nove dias. Só no dia 27 ele teria saído do coma e revelado a agressão.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, disse que não sabia da denúncia. Oliveira, que estava em São Paulo, determinou por telefone que o delegado Wallace de Oliveira Brito, de União da Vitória, investigue o caso.
Em nota à imprensa, a CPT informou que ‘‘os jagunços que espancaram Edivir também fizeram ameaças contra lideranças do MST’’. Nei Orzekovski e outro homem conhecido apenas por ‘‘Catarino’’ estariam ‘‘jurados de morte’’ pelos pistoleiros. O secretário da Segurança assegurou que ‘‘todas as ameaças serão investigadas desde sejam formalizadas denúncias’’.
Edivir Cardoso da Silva era um dos acampados da Fazenda Ruaro, que foi ocupado por 50 famílias ligadas ao MST no dia 17 de abril. Segundo a CPT, a emboscada na qual Edivir foi agredido aconteceu dois dias depois. Ele se dirigia à casa de parentes no município de Chopinzinho. Os pistoleiros que o atacaram chegaram num Corcel II de cor azul. ‘‘Durante a sessão de espancamentos os agressores teriam mencionado que já haviam sido responsáveis pela morte de dois agricultores’’, diz o comunicado.

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