Pastoral da Criança reivindica mais recursos para áreas carentes
Por Hugo Marques, especial para a AE
Brasília, 13 (AE) - A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, disse que o Brasil poderia, em três anos, ficar entre "os melhores do mundo" no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Apontada pelo governo como principal responsável pela queda do índice de mortalidade infantil em bolsões de miséria no País, Zilda afirmou que a melhoria do índice passa por mais investimentos em comunidades carentes e políticas que envolvam todas as áreas do governo, além da sociedade civil. "Só depende de decisão política".
Em uma de suas viagens ao Piauí, Zilda ressaltou ter verificado exemplos de como é possível melhorar as condições básicas de uma comunidade com custo baixo. Em Oeiras, ela disse ter visto famílias inteiras buscando água em lamaçais, por falta de dinheiro para reativar poços artesianos no município. "A água era farta, mas o padre não tinha R$ 7 mil para colocar a bomba e reativar um dos poços", conta Zilda. Barato - Pediatra e sanitarista, Zilda disse que a Pastoral da Criança consegue hoje alfabetizar adultos e crianças ao custo de R$ 3 ao mês. Para cuidar da saúde e evitar que a criança engrosse as estatísticas da mortalidade infantil, a Pastoral gasta apenas R$ 1 por mês. Ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Pastoral da Criança reúne o trabalho de 112 mil líderes comunitários e presta assistência a 1,38 milhão de crianças menores de 6 anos e a 67 mil gestantes.
Nas áreas atendidas pela Pastoral, em todos os Estados brasileiros, a mortalidade infantil é de 13,7 óbitos entre crianças menores de um ano, três vezes menor que em locais que não recebem apoio da entidade. A Pastoral sobrevive com ajuda do governo federal. Zilda ressaltou que o ministro da Saúde, José Serra, havia prometido o dobro de recursos este ano, para atendimento a bolsões de miséria.





