O governo brasileiro fará, pela primeira vez, uma indicação oficial ao Prêmio Nobel da Paz de 2001. O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou ontem carta de intenções indicando a Pastoral da Criança para o prêmio internacional. A carta será entregue ao Comitê Nobel da Paz em Oslo (Noruega) na próxima terça-feira, pelo ministro da Saúde, José Serra, que presidiu a comissão responsável pela preparação do dossiê brasileiro em favor da Pastoral da Criança. O nome do vencedor deve ser conhecido em 10 de dezembro.
A solenidade do Palácio do Planalto para a assinatura da carta de intenções reuniu, ao lado de representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), religiosos evangélicos, israelitas e muçulmanos que atuam conjuntamente na Pastoral da Criança, o organismo de ação social criado pela CNBB em 1983 e que chega em 2001 com 145 mil voluntários formando redes de solidariedade no País. A Pastoral nasceu em Florestópolis, no Paraná, localizado a 73 quilômetros ao norte de Londrina. A entidade atua no apoio a gestantes, aleitamento materno, nutrição, vacinação, controle de doenças diarréicas, respiratórias e sexualmente transmissíveis e prevenção de acidentes domésticos.
Entre os presentes à solenidade estavam Edson Arantes do Nascimento (Pelé); cardeal dom Paulo Evaristo Arns, um dos idealizadores da Pastoral; sua irmã, Zilda Arns, coordenadora da entidade, além dos ministros José Serra e Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria-Geral da Presidência).
A Pastoral da Criança desde 1987 trabalha em parceria com o Ministério da Saúde, que em 2000 respondeu por mais de 70% do orçamento de R$ 18 milhões da entidade. As razões para a indicação da Pastoral ao Nobel da Paz foram apresentadas pelo ministro Serra em números: a Pastoral atende mensalmente a 1,5 milhão de crianças menores de 6 anos, em mais da metade dos municípios brasileiros; dá assistência a 76 mil gestantes e a mais de 1 milhão de famílias. O resultado do trabalho da Pastoral, segundo o próprio Serra, é a redução pela metade dos índices de desnutrição e de mortalidade infantil (comparados à média oficial) nos 3.277 municípios atendidos pela entidade.

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