Curitiba - Com o objetivo de alertar pais e gestores de saúde sobre a necessidade de ministrar a primeira dose do antibiótico na Unidade Básica de Saúde (UBS), a Pastoral da Criança lançou oficialmente ontem a campanha ''Antibiótico: primeira dose imediata''.
A ideia é enfatizar que quanto mais cedo começar o tratamento, mais fácil é a cura, especialmente no caso de crianças com suspeita de pneumonia. A campanha é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
O médico Nelson Arns Neumann, coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança, enfatizou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, desde 2003, determinam que a primeira dose do antibiótico deve ser ministrada logo após a consulta. Ele lamenta, no entanto, que na prática isso não aconteça.
''Queremos que a prática se torne uma realidade no País, pois sabemos o quanto é importante. Estudos apontam que adiantar a dose do antibiótico em quatro horas reduz a possibilidade de morte em 20%'', pontuou.
Além disso, a primeira dose de antibiótico dada logo após a consulta pode evitar uma parte significativa das cerca de 4 mil mortes anuais por infecções respiratórias entre crianças menores de 5 anos no Brasil. O número é do Ministério da Saúde.
Outra vantagem de ministrar o antibiótico no posto, de acordo com Nemann, é a possibilidade de evitar uma possível internação. ''Apesar de ser uma recomendação da OMS e do Ministério da Saúde, há postos que sofrem com a falta de medicamento. A carência de uma equipe estruturada e de consciência sobre o problema também impedem que a medida seja colocada em prática'', afirmou o coordenador, ressaltando que a utilização de antibiótico requer alguns cuidados. ''É necessário concluir o tratamento conforme orientação médica e jamais se automedicar''.
Dados da Pastoral da Criança apontam que 73% das UBS contam com antibiótico em estoque. A mesma pesquisa mostrou que na Região Sul, 39,9% dão a primeira dose do antibiótico ainda no posto.
A campanha tem o apoio da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Academia Brasileira de Pediatria (ABP), Unicef e Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (RS).

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