Pastoral Carcerária diz que mortes poderiam ter sido evitadas
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Natalie Antar, especial para a Ae 
São Paulo, 08 (AE) - A coordenação da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo acredita que as mortes no Presídio de Pirajuí poderiam ter sido evitadas se o Estado tivesse feito um controle do perfil dos presos que foram levados para o local, após a inauguração, em setembro. Segundo a pastoral, as famílias das vítimas têm o direito de exigir indenização.
"O governo não se preocupou em fazer uma triagem e acabou misturando presos jurados de morte com detentos comuns", afirmou o coordenador da Pastoral, Armando Tambelli Júnior. "Isso, claro, iria acabar em tragédia algum dia, pois o local não tem estrutura para fazer essa separação com segurança". "O erro foi do governo que não analisou o tipo de preso que estava levando para o presídio e, com isso, não montou um programa específico para atender às necessidades daquela população carcerária", contou.
"O Estado, que tem a obrigação de zelar pela vida do detento, é o principal responsável pelas mortes". Segundo Tambelli Júnior, essa foi a terceira rebelião no local. "A última também foi resultado da discórdia entre os presos e deveria ter servido de alerta para o governo", disse. "O Presídio de Casa Branca enfrenta os mesmos problemas, pois também há mistura de presos e falta de estrutura". Sindicância - "As famílias têm todo o direto de acionar a Justiça, responsabilizar o Estado e pedir indenização", disse Tambelli Júnior.
A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária informou que já abriu sindicância para apurar quais os detentos responsáveis pelas mortes dos colegas e o que realmente ocorreu na rebelião. O resultado deve sair em dez dias. Segundo a secretaria, provavelmente, os presos envolvidos nos assassinatos serão transferidos para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, que é um presídio de segurança máxima.


