Policiais militares do Grupo de Operações Especiais (GOE) estão sendo acusados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de terem torturado na quinta-feira seis líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). As agressões teriam acontecido durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, no município de Ortigueira, na região centro-sul do Estado. O governo do Estado rebate as acusações e afirma que a desocupação foi tranquila.
Segundo a CPT, Valdecir Bordignon (membro da coordenação estadual do MST), Luiz Castorino de Souza, Lourival Lesse, José Pedro Calistro, Aristides dos Santos Lisboa e Arlindo de Matos foram submetidos a sessões de espancamentos, afogamentos e ameaças. Cerca de 60 famílias ocupavam a fazenda Santa Maria desde segunda-feira, dia 26. A fazenda é a mesma onde a Polícia Federal localizou em março um lote de 300 quilos de cocaína.
Os seis líderes do MST estão presos na delegacia de Ortigueira. Eles são acusados dos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e esbulhação (usurpação). Os sem-terra teriam mantido presos o capataz da fazenda e sua família. Todos permaneciam presos até às 17 horas de ontem. Advogados da CPT estavam tentando o relaxamento da prisão através de um pedido junto ao fórum de Ortigueira para pagamento de fiança.
Em entrevista coletiva à imprensa ontem à tarde na sede da CPT em Curitiba, representantes da comissão acusaram o governo do Estado de tentar desmoralizar o MST no Paraná. O governador Jaime Lerner e órgãos de Segurança Pública foram citados como responsáveis pela violência no campo e comprometidos com latifundiários que patrocinam a violência no campo.
‘‘O governador Jaime Lerner, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia paranaense encontram-se atrelados aos interesses da bancada ruralista e dos latifundiários, que através de suas milícias armadas espalham terror e medo por todas as regiões do Estado’’, diz um comunicado apresentado aos jornalistas como ‘‘Carta-Denúncia’’.
A carta menciona ainda que a PM tem agentes infiltrados nos acampamentos para criar um clima de confronto com as autoridades e fazendeiros. A intenção do trabalho dos policiais, de acordo com o advogado da CPT, Darci Frigo, seria responsabilizar os trabalhadores por atos de violência em eventuais desocupações. ‘‘Deste jeito, a Secretaria de Segurança Pública pode dizer que o primeiro tiro foi dado pelos trabalhadores’’, criticou Frigo.
Para Rogério Mauro, um dos coordenadores estaduais do MST, a ‘‘omissão’’ e ‘‘conivência’’ da Secretaria de Segurança Pública podem transformar as desocupações num banho de sangue no Estado.
A Secretaria de Comunicação Social do governo paranaense negou a ocorrência de torturas durante a operação. Segundo o governo, a PM agiu ‘‘de forma tranquila’’ pois não houve resistência à prisão por parte dos acampados. Na nota divulgada ontem, o secretário-chefe da Casa Cicil, Pretextato Taborda afirma que ‘‘o comportamento da Polícia Militar foi irrepreensível. O que algumas lideranças de sem-terra querem é criar uma cortina de funmaça para tentar evitar o cumprimento das reintegrações de posse de terras produtivas, que está sendo feito pelo governo do Estado’’. A nota destaca que na operação não houve qualquer incidente além da prisão dos seis sem-terra.
A Secretaria de Comunicação Social afirma que os seis sem-terra foram presos e autuados em flagrante por manter em cárcere privado o administrador da fazenda e seus familiares. ‘‘Cárcere privado é considerado crime hediondo e, por isso, inanfiançável. A prisão e autuação em flagrante foram imediatamente comunicadas à Justiça a quem cabe, agora, a decisão de manter os sem-terra presos ou não.

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