São Paulo, 25 (AE) - As pastorais sociais da Igreja Católica já não têm a mesma força que exibiam nos anos 70 e 80. Mas continuam bastante ativas. Um sinal disso é a sua presença nos movimentos de protesto contra o governo, que ocorrem atualmente. Os agentes das pastorais fazem parte do grupo que preparou a Marcha dos 100 Mil, amanhã (26) em Brasília.
Eles também dão suporte à Marcha Popular pelo Brasil, que começou em julho, no Rio, e deve terminar em outubro, na capital federal. Seus participantes, que hoje caminham pelas estradas de Minas Gerais, protestam contra a corrupção e a privatização.
Em 7 de setembro, as pastorais sociais vão promover o Grito dos Excluídos, um alerta contra a concentração de renda no País. Elas ainda dão apoio à Marcha Nacional em Defesa da Promoção da Educação Pública, encabeçada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, que também deve desaguar em Brasília em outubro.
Os agentes das pastorais sociais da Igreja Católica são padres, freiras e leigos espalhados por todo o País e envolvidos com organizações voltadas para populações carentes. Eles trabalham entre desempregados, trabalhadores sem-terra, moradores de rua, crianças abandonadas, migrantes, presos, prostitutas, pobres das periferias. Trata-se, enfim, do que chamam de grupo dos excluídos.
Isoladamente, suas organizações são de pequeno porte e com atuação localizada. Para dar maior repercussão às críticas que fazem ao governo, procuram unificar as ações e também associar-se a outros grupos de oposição.
O caso mais notável é a extrema afinidade entre a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Sem-Terra (MST). Em várias localidades, os agentes também atuam ao lado do governo, na Pastoral da Criança.
Indignação - O Grito dos Excluídos, em setembro, será composto por centenas de manifestações em todo o País. A maior delas está programada para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, onde são esperadas mais de 50 mil pessoas.
A organização do Grito dos Excluídos tem o apoio de 850 voluntários. Um deles é Ari Alberti, da Pastoral dos Migrantes, em São Paulo. Ele explica que será uma "manifestação popular de indignação e de esperança".
Na opinião do padre Antonio Ferreira Naves, que atua na periferia da zona leste de São Paulo e também assessora a CPT e o MST, a presença das pastorais sociais nos atos de protesto tem dois motivos - um teológico e outro político.
"Antes de tudo, vemos no rosto de cada excluído o rosto de Jesus, que reage e levanta-se", explica. "Do ponto de vista político, acreditamos que cada cidadão tem o direito de manifestar-se pelo direito de ter uma vida melhor e mais digna."

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