LONDRINA - O Instituto Médico Legal de Curitiba informou ontem, oficialmente, que a morte do vendedor e pastor licenciado José Idalécio Bueno ocorreu por asfixia provocada pelo próprio vômito (bronco-aspiração). Bueno morreu numa viatura policial em Ibiporã, a 14 quilômetros de Londrina, após uma discussão com o sargento da Polícia Militar Levi Teófilo, no dia 9. Segundo a viúva Mara Bueno e o filho Rodrigo, 13 anos, que teriam presenciado a prisão do pastor, Bueno foi espancado por policiais antes de ser colocado na viatura. O laudo deve ser entregue nas próximas horas ao delegado Edmo Hermenegildo do 1º Distrito Policial, que preside o inquérito policial sobre o caso.
No laudo do exame patológico consta que, no pulmão de Bueno, foi encontrada certa quantidade de alimento que teria causado a asfixia. Após a necrópsia do corpo, realizada em Londrina, foram remetidos diversos materiais para o IML de Curitiba. Através dos exames, ficou constatado que nenhum órgão sofreu lesões características de terem sido provocadas por agressão física. O laudo deverá ser enviado na próxima semana para Londrina e servirá para complementar o laudo de necrópsia realizado pelo IML local. Durante a necrópsia foram constados arranhões e hematomas no corpo do pastor.
O setor de toxicologia do IML de Curitiba, em laudo oficial expedido no início da semana, constatou que no exame de sangue do pastor foram encontrados 2.28 miligramas de álcool, demostrando que ele poderia estar embriagado quando morreu na viatura policial em Ibiporã.
Segundo Mara Bueno, o pastor recebeu um tapa no rosto dado pelo sargento Levi Teófilo. Na sequência, Bueno teria empurrado o agressor. Após os empurrões, Teófilo deu voz de prisão ao pastor, que teria ficado mais agressivo. O sargento e mais cinco policias teriam jogado Bueno no chão para colocar as algemas.
Como ele não queria ser levado na viatura, tentou reagir e foi empurrado para o interior do veículo. Mara, apavorada com o que acontecia, deixou o filho com o pai e saiu no Opala em busca de socorro. Rodrigo afirmou que o pai pedia que ele o ajudasse, pois não queria ir preso. ‘‘Eu vi quando os policiais militares bateram no meu pai. Ele foi jogado no chão, ficou imobilizado com um dos soldados colocando os joelhos no seu pescoço.’’ Bueno morreu quando era levado para o hospital.
A confusão começou na BR-369, quando a vítima, a mulher e o filho voltavam para casa após almoçarem e passarem a tarde na sede campestre do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense. O Opala era dirigido pelo pastor e, segundo o sargento, o veículo andava em ziguezague, dando impressão que o motorista estava embriagado.
Um teste realizado pelo Instituto de Criminalística de Londrina constatou que o carro estava com problemas mecânicos, e por isso rodava daquela forma. No posto da Polícia Rodoviária, o sargento parou Bueno e, após discussão entre os dois, teria ocorrido o tapa no rosto de Bueno. Teófilo disse, em seu depoimento, que não deu tapa e nem agiu com truculência: ‘‘Apenas usei da força, pois o homem (Bueno) estava irredutível em nos acompanhar até a delegacia.’’
O delegado Edmo Hermenegildo começou anteontem a ouvir testemunhas. No último domingo, após uma manifestação pública em Ibiporã em repúdio à morte de Bueno, grupos quebraram todo o posto rodoviário e a delegacia da cidade.

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