Agência Globo
O terror que se instalou no município de São Fidélis, a 400 quilômetros do Rio, e culminou com o fechamento da delegacia local, ganhou nome e sobrenome há um mês e meio, quando o pastor presbiteriano e estudante de direito Luís Cláudio Freitas do Nascimento, de 33 anos, resolveu denunciar que fora torturado na 141ª DP na presença do delegado Paulo Gil. No dia 24 de abril, ele diz ter sido preso arbitrariamente no centro do município e levado para o gabinete do delegado, onde um policial quase o estrangulou e lhe deu tapas no rosto que fizeram de seu olho esquerdo uma poça de sangue.
Morador de Campos e amigo de fé do governador Anthony Garotinho, Luís Cláudio denunciou Paulo Gil ao Ministério Público e fez o caso chegar ao conhecimento da cúpula da Polícia Civil. Esse foi um dos motivos pelo quais todo o staff da segurança pública, inclusive o secretário Josias Quintal, se deslocou para a região Norte fluminense nos últimos dias.
Luís Cláudio contou com exclusividade ao ‘‘Globo’’ os momentos de agonia vividos dentro da delegacia nas mãos dos policiais. ‘‘Com o policial me estrangulando, senti que logo perderia as forças e comecei a gritar, pedindo clemência ao delegado. Ele assistiu a tudo omisso. Eu me senti numa selva, perdido. A minha vista escureceu e deixei minha carteira de dinheiro cair no chão’’, recorda-se Luís Cláudio.
O pastor foi obrigado a se ajoelhar na frente do delegado Paulo Gil, posição em que se manteve durante meia hora de depoimento. A carteira de dinheiro que soltou ao desfalecer, segundo ele, motivou toda a violência. Luís Cláudio diz ter se recusado a entregá-la ao policial que o conduzia e a exigiu assim que foi levado à presença do delegado. O mesmo policial o agrediu. Ele está disposto a reconhecê-lo oficialmente, mas acredita tratar-se de Aloísio Russo Júnior, nome que consta no registro policial.

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