Pastas infantis prejudicam os dentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de abril de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Balas, chicletes e doces não são os únicos vilões para os dentes das crianças. O perigo também está onde pais e mães menos esperam - nas pastas de dentes e nos xaropes infantis (ver texto na página).
A dentista Karina Bonalumi Bittar, de Londrina, alerta para as pastas dentais infantis, que têm concentração maior de flúor que o organismo das crianças suportam. Já um estudo da dentista Carolina Covolo da Costa, de Porto Alegre, mostra que os xaropes infantis são extremamente corrosivos aos dentes (leia texto abaixo).
Karina orienta que quanto menor a idade da criança, menor a concentração de flúor que ela pode ingerir. Ela explica que bebês e crianças pequenas, até os quatro anos, têm dificuldade para cuspir a pasta de dente e acabam ingerindo parte do produto. Além disso, uma pequena quantidade de flúor já é ingerida através da água tratada.
O resultado é um acúmulo de flúor no organismo, que vai para a calcificação do esmalte do dente. Isto pode causar fluorose - manchas esbranquiçadas nos dentes permanentes, ou mesmo manchas acastanhadas quando o flúor foi ingerido em excesso. É um problema estético - ressalta - mas bastante visível e de difícil solução.
Ela explica que poucas marcas de pastas dentais infantis tem um nível baixo de flúor, apesar de serem indicadas para crianças. O problema é que a mãe vê no supermercado que é um produto infantil, e não tem noção de que é preciso prestar atenção na concentração do flúor. A escolha geralmente é pela embalagem mais bonita, da preferência da criança, alerta.
A dica é prestar atenção na composição do produto. A quantidade de flúor estará especificada como fluoreto de sódio. Para crianças, a quantidade máxima indicada, e assim mesmo para as com idade acima dos dois anos, segundo Karina, é de 500 ppm (partes por milhão). Mas a maioria das pastas infantis vem com 1.100 ppm de fluoreto de sódio, quantidade semelhante a encontrada nas pastas comuns, próprias para adultos, cerca de 1.500 ppm.
O flúor, ressalta a dentista, é muito eficaz para a prevenção de cáries, mas desde que seja usado de maneira correta. A melhor medida para evitar a fluorose, segundo a odontopediatra, é promover a limpeza bucal no bebê e nas crianças com produtos sem flúor, lembrando que a limpeza feita desde cedo é que vai evitar as cáries. O que é importante é a escovação, isso é o que vai higienizar a boca da criança, tirar os restos de alimentos, independentemente da pasta que se usa, ressalta.
Crianças com idade abaixo dos seis anos devem ter orientação dos pais na hora de escovar dos dentes. Estes devem verificar a quantidade de pasta que está sendo colocada na escova e o quanto está sendo ingerido.
O ideal é que quando aparecerem os primeiros dentes, por volta das seis meses de idade, a limpeza seja feita apenas com uma escova ou um pano macio e água oxigenada 10 volumes diluída em água. Aos dois anos a criança já pode usar pasta de dente, com baixa concentração de flúor, somente sujando a escova dental. A quantidade (de pasta) é referente a um graõzinho de ervilha, ressalta. Mas isso deve ser feito apenas uma vez ao dia, preferencialmente antes de dormir.
Próximo aos quatro anos de idade, a criança já pode fazer uso da pasta, ainda com baixa concentração de flúor (500 ppm), três vezes ao dia. À medida que a criança cresce, pode-se aumentar a concentração de flúor na pasta dental, explica. A partir dos seis anos, segundo a dentista, pode-se usar qualquer tipo de pasta, pois a criança já sabe cuspir bem.


