Rio, 14 (AE) - Passear por vielas pitorescas, visitar o mirante que oferece uma das mais belas vistas do Rio, tomar batida de frutas típicas e comer moqueca de peixe. O passeio só se diferencia dos tradicionais roteiros turísticos por um detalhe: é feito na Favela da Rocinha, a maior da América Latina. Para estimular o tímido turismo no local, a Secretaria Municipal do Trabalho está lançando folheto com as principais atrações da comunidade.
Chamado Rocinha Tour 2000, o impresso será distribuído, a partir de maio, em hotéis e agências de viagens. O folheto é escrito em português e inglês e tem o mapa da favela, além de apontar os principais estabelecimentos comerciais e os locais mais interessantes para visitação. Entre eles, a Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, a Escola de Música e o Mirante do Laboriaux, com vista para o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Praia de Ipanema.
A Escola de Música da Rocinha é coordenada pelo professor alemão Hans Ulrich Koch e atende mais de 90 alunos da comunidade. As crianças aprendem a tocar flauta doce, teclado e violão, além de terem aulas de canto-coral. Vale também visitar a quadra da Acadêmicos da Rocinha, onde ocorrem eventos culturais e, antes do carnaval, ensaios de bateria e passistas.
Para definir os pontos da favela recomendados, o Núcleo de Turismo do Fórum de Desenvolvimento Econômico da Rocinha, da Secretaria do Trabalho, baseou-se em critérios como qualidade de atendimento, higiene e instalação. A escolha foi feita por representantes da comunidade. Entre os 19 locais listados, estão restaurantes, bares, butiques e até adega.
"Recebemos 2 mil turistas por mês", diz a agente de Desenvolvimento Econômico da secretaria, Thelma Santos, que trabalha na favela com projetos de estímulo à economia. "Nossa meta é dobrar esse número." A expectativa de aumento do turismo anima os comerciantes.
O vendedor Alexandre Pitanga começou este ano a fazer em casa camisetas com os dizeres "100% Rocinha", "A Maior da América Latina" e "Rocinha 2000", que vende a R$ 8,00 numa barraca na entrada da favela. "Os turistas compram muito." Os centros comunitários estimulam os moradores a fazer peças de artesanato e souvenirs, em especial miniaturas de pipas e barracos.
Os cozinheiros Fernando Antônio da Silva e Edson Mello, sócios no restaurante de frutos do mar O Diferente, apostam na fartura. "Não temos cardápio fixo nem receitas escritas", diz Silva. Um dos pratos mais famosos da casa é o peixe Itaparica, com lula, polvo e camarão. Custa R$ 35,00. "Dá para cinco pessoas comerem bem."
Um dos pontos de encontro dos jovens é a Adega do Xaolin. "Muitos vêm aqui para comprar cachaça", afirma o dono, Antônio Ferreira Xaolin. "A idéia é que os turistas vejam o que a Rocinha tem de legal", diz o secretário do Trabalho, André Urani.

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