Passeata une 600 pessoas contra a violência no Rio de Janeiro
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
das Agências 
Uma passeata silenciosa, com cerca de 600 pessoas vestidas de branco, protestou no início da tarde de ontem na praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, contra a violência na cidade. O silêncio da passeata Paz na praia, paz na cidade - referência às gangues de jovens que atemorizam as pessoas em pontos específicos da orla - só foi quebrado pelos cânticos litúrgicos apresentados pelo coral Ars Plena e compostos por ex-colegas do maestro Armando Prazeres, assassinado em janeiro, e pelos aplausos dos banhistas.
Os organizadores da passeata, entre eles a Comissão contra a Violência e a Impunidade da Assembléia Legislativa, o Movimento Viva Rio e entidades de defesa dos direitos dos homossexuais, além de familiares e amigos de vítimas das gangues, carregaram faixas com mensagens de protesto. A mãe do estudante Frederico Guimarães, assassinado em novembro em frente à Faculdade da Cidade, na Lagoa (zona sul), Eloyna Ferreira, distribuiu 150 camisetas com telefones do Disque-Denúncia.
O acusado da morte de Fredinho, Renato de Mendonça Júnior, de 21 anos, pertence a uma gangue de jiu-jitsu, e está foragido e com prisão preventiva decretada. Recém-operada de hérnia, Eloyna contou que a família e amigos do filho têm recebido ameaças de morte. Mas eu não sossego enquanto os culpados não estiverem entre as grades.
O subsecretário estadual de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, ameaçou as gangues de jovens. Muitos delinquentes ainda não foram presos por serem de classe média, filhinhos de papai. Agora a conversa vai ser outra. Chega de corrupção. A Polícia Civil prendeu Gustavo Lima de Oliveira, de 19 anos, acusado de ser o executor do crime contra Fredinho.
No fim da manifestação, parte deles formou um círculo na areia e, em seguida, tomou um banho de mar. O banho foi uma purificação, uma vontade de sair desta raiva, do desespero, afirmou o sociólogo Rubens Cézar Fernandes, do Movimento Viva Rio. Para Fernandes, a principal função da passeata foi de representar uma força positiva para se opor ao pessimismo e à aceitação passiva pelo carioca à violência. Se não houver um movimento como esse, fica só a força negativa, explicou. É uma coisa inocente, mas muito verdadeira.
Cerca de uma hora antes da passeata, houve um tiroteio entre policiais militares e quatro assaltantes, numa perseguição pela orla da zona sul. A quadrilha foi presa sem ninguém ter se ferido. O pânico e a correria causados por mais esta demonstração da violência no Rio não impediu que a manifestação reunisse mais de 500 participantes.
O subsecretário de Segurança, Luís Eduardo Soares, afirmou que a prisão da quadrilha foi uma demonstração de que a polícia age rapidamente e de que melhorou a segurança na região.


