Passeata pela paz reúne 500 pessoas no Rio
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domingo, 02 de julho de 2000
Das agências Folha e Estado Do Rio de Janeiro 
Cerca de 500 manifestantes, segundo a Polícia Militar, participaram ontem no Rio da passeata Basta! Eu Quero Paz, promovida pelas ONGs (Organizações Não-Governamentais) Viva Rio e Instituto Sou Pela Paz, de São Paulo, na orla de Copacabana (zona sul do Rio de Janeiro). O manifesto é patrocinado pela União Organização ds Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Nosso objetivo foi cumprido, pois não era uma atividade de massa, mas a preparação para o dia 7 de julho, quando estamos convocando a população para vestir branco, apagar as luzes e acender uma vela na janela para chamar a paz, disse o coordenador do Viva Rio Rubem César Fernandes.
Segundo Fernandes, cerca de 200 lideranças de comunidades de favelas marcharam junto com o povo do asfalto. Um grupo de 12 estudantes de Direitos Humanos da Universidade de Nova York vestidos de branco chamava a atenção. Resolvi trazer o grupo que está estudando a questão dos direitos humanos no Brasil, porque eles ficaram curiosos ao ler no New York Times que um sobrevivente da chacina da Candelária teria protagonizado o sequestro de um ônibus no mês passado no Rio, afirmou o professor da universidade Peter Lucas. Ele se referia a Sandro do Nascimento, que sequestrou o ônibus 174 no dia 12 de junho.
A advogada Maria Fátima Ramalhoto aderiu ao protesto para mostrar seu drama e pedir ajuda. Há sete anos ela levou um tiro no rosto em pleno centro do Rio. Vítima de uma bala perdida, ela chegou a ser desenganada pelos médicos, pois os resíduos de chumbo em sua cabeça deram origem a uma doença rara conhecida como saturnismo. Recuperada pelo hospital da Universidade de São Pulo, em Bauru, ela tem sua doença tratada e pesquisada pela Unesp.
Aos 55 anos, Maria, que estudava para ser juíza na época da tragédia, está desempregada e afirma passar por graves problemas financeiros. Apenas em medicamentos diz gastar R$ 300 por mês. Não sou mais uma pessoa normal, sou uma cobaia humana. Vim aqui apenas para pedir para viver, declarou Maria.
A funcionária pública Maria de Fátima Ramalhoto, de 55 anos, que perdeu o olho direito ao ser atingida por bala perdida há sete anos, também defendeu o fim da conivência. Quero voltar a ser gente, voltar à vida, sem temer mais violência, disse.


