Porto Alegre, 30 (AE) - Uma passeata que durou uma hora e meia e que reuniu cerca de 500 pessoas percorreu hoje as ruas principais de Rio Grande (RS), no sul do Estado, lembrando a memória dos casais assassinados na cidade nos últimos cinco meses e pedindo justiça. Doze pessoas morreram vitimadas, a maior parte delas na praia do Cassino, esfaqueadas ou baleadas, um índice de violência incomum para um município com 180 mil habitantes.
Segundo a polícia, três casais foram provavelmente executados por quadrilheiros e dois podem ter sido alvejados por um assassino serial, acostumado a atacar à noite na praia. Para os policiais, o sexto e último caso, ocorrido no domingo (28), envolvendo um aposentado e sua esposa, não possui conexão com os demais -- homicídio seguido de suicídio.
A maior parte dos participantes da passeata eram alunos da Escola Estadual Nossa Senhora da Medianeira, onde lecionava uma das vítimas, a professora de matemática e química, Adriana Simões, de 28 anos. Colegas de Adriana também estavam na caminhada, que começou às 14h, prolongando-se até as 15h30.
A passeata silenciosa ainda recebeu a adesão de mais três escolas e de parentes de outras vítimas. Os corpos da professora e do vendedor Sílvio Ibias, de 36 anos, foram localizados nos molhes do Cassino, no dia 26.
Hoje à noite, o delegado regional de Rio Grande, Pedro Alvarez
disse que a única sobrevivente dos ataques a casais, a adolescente Brenda Gaebrin, de 14 anos, tem sido procurada para ajudar a identificar suspeitos em fotos, mas seu estado psicológico não permite um auxílio maior.
Brenda recebeu um tiro na nuca no dia 20 de março e ficou tetraplégica. Seu namorado, Petrick Almeida, de 18, não sobreviveu. Depois de ouvir e liberar dez suspeitos, o delegado admitiu que "ainda não podemos falar em prazos para a captura dos envolvidos".

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