Londrina - O Movimento Passe Livre realizou uma panfletagem, durante a manhã de ontem, na tradicional feira da Av. Saul Elkind (Zona Norte). O ato contou ainda com um abaixo-assinado em favor da redução da tarifa do transporte coletivo em Londrina - que no início deste mês subiu de R$ 2,30 para R$ 2,65.
Segundo os organizadores, a ação contou com a participação de aproximadamente 20 pessoas e distribuiu cerca de 2,5 mil panfletos para feirantes e transeuntes. Membro do comitê que coordena o movimento, o assistente social Everton Yukita explicou que o alto número de pessoas que circulam pela feira foi um dos pontos que levaram o grupo a escolher o local. "Estamos fazendo a panfletagem em vários locais da cidade. Sempre com esse cunho de explicar para a população o motivo de realizarmos atos e acharmos que o aumento na tarifa é um abuso, algo já comprovado por uma comissão de inquérito em 2009 ", afirmou.
Segundo ele, embora o Movimento tenha outras bandeiras ligadas à questão do transporte, como o passe livre estudantil e a estatização do serviço, o grupo espera ao menos que a nova tarifa seja revogada de forma imediata. "Hoje o pneu e o motor duram mais e a planilha que gera o laudo é totalmente questionável", justificou.
A panfletagem serviu ainda para convocar a população para mais uma manifestação, marcada para ocorrer na quarta-feira, às 17 horas, na Praça Rocha Pombo (centro). Se acontecer, será a terceira vez que os protestantes se reúnem para pedir a revogação imediata da tarifa de ônibus só neste mês. As demais foram realizadas nos dias 7 e 15 de janeiro. Yukita garante que a onda de panfletagens e protestos não deve parar enquanto a reivindicação não for atendida.
Procurado pela FOLHA, o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon) preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Apoio
O ato contou com o apoio de muitas pessoas que passaram pela feira. A funcionária pública Neide Barbosa comentou que a manifestação é importante e justa, uma vez que o aumento de R$ 0,35 acaba pesando no bolso dos usuários. Ela lembrou, no entanto, que em caso de protestos é preciso manter a calma. "Não pode haver a depredação do patrimônio público durante as manifestações, nem qualquer forma de violência. Mas se for de forma pacífica é válido", disse.
Opinião semelhante teve o diretor de obra social Carlos Alberto Weesler. Ele acrescentou que algumas cidades já dispõem de passe livre estudantil e outras modalidades que barateiam o custo das passagens. Para Weesler, iniciativas semelhantes poderiam ser aplicadas em Londrina, principalmente em favor de pessoas de baixa renda. "As grandes cidades costumam ofertar passagens mais baratas e até de graça nos finais de semana. Essas coisas deveriam ser testadas aqui", exemplificou.
Já o feirante Mauro Cesar Ramos ponderou que os preços de combustíveis e a manutenção dos veículos têm aumentado - o que justificaria o aumento. "Eu que tenho um carro convencional já sinto o peso dos gastos, imagina ônibus. Tudo está subindo no País, acho que o protesto teria que levar em conta outras coisas, como a forma como o governo está atuando", sugeriu.

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