Londrina – O Comitê Passe Livre de Londrina aproveitou a grande movimentação da feira livre da Avenida Saul Elkind (Zona Norte), na manhã de ontem, para protestar contra o aumento da tarifa do transporte coletivo, em vigor desde o dia 1º deste mês. O grupo fez panfletagem e coletou assinaturas para o abaixo-assinado que pede a redução da tarifa, que passou de R$ 2,65 para R$ 2,95, aumento de 11,3%.
O representante do Comitê Passe Livre, Murilo Pajolla, lembrou que o reajuste é quase o dobro da inflação registrada no período, de 6,55%. "É um reajuste que não condiz com a realidade do salário do trabalhador, que não sobe na mesma proporção. Fica claro que o único interesse é o lucro para as empresas", criticou. Este foi o quarto ato público organizado este ano pelo grupo. Segundo Pajolla, outras ações no Calçadão e na feira do Jardim Acapulco (Zona Sul) receberam forte apoio popular. "O trabalhador se identifica porque ele é o maior prejudicado", contou.
A assistente social Kelly Inácio dos Santos Franco, de 31 anos, foi uma das primeiras a assinar o documento. Moradora no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), ela utiliza o transporte público todos os dias. "Eles têm meu total apoio. A gente não vê investimentos consideráveis, mas aumento tem todo ano", disse. A dona de casa Lucilene de Souza Pereira, de 45 anos, também fez questão de parar as compras por um minuto. "Assino com gosto. Se a passagem não parar de subir, logo estaremos pagando para trabalhar. Assim não dá", reclamou.
A artesã Maria Cristina Souza França da Silva, de 34 anos, relatou que raramente utiliza o transporte público, mas disse que se solidarizou com a causa. "Não é porque eu não uso que vou me abster de uma questão tão importante para muita gente. A minha parte eu fiz", afirmou. Em menos de uma hora, o grupo havia preenchido cinco folhas com assinaturas. "Vamos continuar brigando pelo passe livre para estudantes e pela estatização do transporte público, o que evitaria aumento visando lucro", detalhou Pajolla.
Ele criticou também a vinculação entre o reajuste da tarifa e o salário dos motoristas e cobradores. "É mais uma tentativa das empresas de jogar os trabalhadores contra nós, até porque o salário deles não será reajustado nas mesmas proporções que a tarifa", alegou. O representante do comitê tornou a mencionar um "combinado" entre prefeitura e empresas de ônibus. "A questão da empresa pedir bem acima e a prefeitura definir um aumento menor adquire caráter de teatro, como se a primeira fosse a vilã e a prefeitura a heroína", disparou.
No início do mês, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) repudiou as críticas do comitê que insinuam combinação entre o prefeito e as empresas do transporte coletivo. Kireeff garantiu que a definição do valor da tarifa é baseada em cálculos elaborados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Sobre a transparência dos itens da planilha, ponto questionado pelo Passe Livre, a administração informou que o documento está disponível no site da CMTU. A conta é feita com base no Índice de Passageiros Equivalentes por Quilômetro (IPKe) e no custo por quilômetro rodado. A diretoria do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo (Metrolon) não foi localizada no final da tarde de ontem para comentar a panfletagem.

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