Passe de estudante é modelo para País
Marcos Zanatta
De Maringá
Projeto adotado pela Prefeitura de Maringá há 2 anos
é estudado por cidades do Paraná e de outros Estados
O passe do estudante, adotado há dois anos em Maringá e que já está beneficiando 16 mil estudantes, pode ser copiado em vários municípios do Paraná e alguns Estados vizinhos. O projeto, que garante o transporte de alunos que moram a mais de 1.500 metros da escola onde está matriculado, foi o primeiro da administração do prefeito Jairo Gianoto (PSDB) e está sendo estudado por pelo menos seis municípios do Estado, inclusive Curitiba, além de Sorriso (MT) e Presidente Prudente (SP). O sistema não tem nenhum custo para o município, a não ser de pessoal e de impressão dos passes.
O transporte coletivo urbano é uma concessão do município e fizemos um acordo com a empresa para a gratuidade dos estudantes, explica Gianoto. Ele garante que o passe livre reduziu não apenas a evasão e a falta nas escolas públicas, mas está criando um fato social novo. Muitas famílias que faziam sacrifício para comprar o passe hoje têm um dinheiro a mais no final do mês, analisa. São cerca de 32 mil passes por dia ou R$ 25,6 mil. Dinheiro que acaba melhorando a qualidade de vida de muitas famílias, diz o prefeito.
O passe funciona como um fiscal do aluno. O primeiro passo é o cadastramento dos estudantes. O gerente do sistema de passe livre, Robson Carlos Baeso, calcula que existem 19 mil alunos cadastrados. O estudante precisa apresentar uma foto para a confecção da certeira, declaração de matrícula e um comprovante de residência. O passe é personalizado, com nome do beneficiado, horário de uso e as linhas que podem ser utilizadas. As linhas foram adotadas agora porque estava ocorrendo fraudes, revela Baeso.
Ele garante que a limitação no uso de linhas não prejudica o alunos porque as permitidas são sempre as que fazem a melhor ligação entre a escola e a região da casa do estudante. Com isso, garantimos também maior segurança para as famílias, que sabem o roteiro dos filhos, diz. O aluno não pode ter mais de 50% de faltas na escola. Quem ultrapassa o limite sem motivo justificado perde o benefício. O sistema é preciso, quase sem reclamações, garante o gerente.
A evasão escolar na rede pública, calculada pelas escolas que repassam os dados ao município, praticamente desapareceu. Baeso diz que a frequência, medida nos dois anos de benefício, é de 96%. O pessoal que ia de bicicleta ou mesmo a pé para a escola acabava desistindo nos períodos de chuva ou de frio.
A mostra de como as famílias carentes não têm mesmo condições de comprar o passe é que para alguns alunos a prefeitura tem que fazer a foto para a carteira e tirar fotocópias dos documentos. São pessoas que não tem a mínima condição, mas querem estudar.
Os cerca de 16 mil estudantes que recebem o passe representam entre 28% a 30% de todos os alunos das escolas públicas e privadas do município. A média reduzida, segundo Baeso, se deve à boa localização das escolas nos bairros. A maior parte dos alunos, explica, mora próximo às escolas onde estão matriculados. Ele lembra ainda que o passe anterior, que oferecia desconto de 50% sobre o valor normal a estudantes, não atendia nem 10% do total.
A maior parte dos alunos que utiliza passe é da rede estadual, cerca de 80%, calcula Baeso. Mas existem também universitários até de faculdades particulares que recebem o passe. Muitos estudantes continuam ou voltaram a estudar depois da implantação do passe livre. Muitos alunos desistiam e a gente visitava mas eles não voltavam porque não tinham dinheiro para o transporte, diz o secretário geral do Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes, Luis Carlos Palma.
Pelos cálculos de Palma 60% dos 2.750 alunos do Branca da Mota são beneficiados pelo passe. Ele confirma também que o benefício acabou com a evasão. Muitos alunos tinham vontade de estudar e se matriculavam, mas na época de frio e de chuva acabavam desistindo por falta de dinheiro para o transporte. Hoje os alunos estão melhores que os funcionários, que às vezes são obrigados a faltar por falta de vale-transporte.





