São Paulo- O militante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Mario Lill, 36 anos, disse ontem, logo após desembarcar no Brasil, que passou fome e sede e que viveu em condições de habitação precárias nos 22 dias que passou confinado no QG do líder palestino Iasser Arafat. ‘‘Tínhamos um litro de água para quatro pessoas por dia para bebermos e fazer a higiene pessoal’’, contou.
Segundo Lill, o fornecimento de água foi cortado pelo Exército de Israel, que impede a saída de Arafat do local. ‘‘A água era escassa, mas depois da visita de Colin Powell (secretário de Estado dos Estados Unidos) melhorou um pouco’’, disse.
O militante disse que comia pão árabe todos os dias, e que chegou a comer também um pouco de queijo, feijão enlatado e, às vezes, pepino e tomate.
Ele contou também que não havia colchões suficientes para todos dormirem e que passou frio nos primeiros dias.
‘‘Foram vários os momentos de tensão, de angústia. Passamos noites e noites sem dormir’’, declarou. Lill disse que o momento de maior medo e tensão para ele foi quando o Exército israelense disparou contra o QG de Arafat.
Retorno - O militante do MST disse que só trocou de roupa no aeroporto em Tel Aviv, oeste de Israel, na segunda-feira. Para ele, os agentes israelenses foram rudes após sua captura e durante seu processo de expulsão do país.
Lill afirmou que após deixar o QG de Arafat foi levado para prisões em locais desconhecidos por ele. O militante relatou que os soldados fizeram várias perguntas, mas ele não respondeu. ‘‘Eu não entendia nada’’, afirmou.
O militante disse que entregaram um documento para que assinasse, mas ele se negou. Após isso, Lill disse que foi algemado e uma corrente foi colocada em seus pés.
Ao deixar o aeroporto de Tel Aviv, seu passaporte foi carimbado e algumas observações foram feitas pelo governo israelense. Ele, no entanto, não quis mostrar o documento aos jornalistas.

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