Passagem de ônibus encarece a vida do londrinense
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Pedro Moraes <br> Reportagem Local 
O aumento da passagem do transporte coletivo vai promover um aperto no orçamento dos londrinenses no início de 2019. O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), regulamentou a nova tarifa do transporte coletivo, que subiu para R$ 4,25, ou seja, 7,5% mais cara sobre os R$ 3,95 atuais. Um decreto foi publicado na noite de sexta-feira (28) no Diário Oficial. Os usuários do PSIU passarão a desembolsar R$ 5,50. Os aumentos passam a valer a partir do dia 1º de janeiro. O gasto com o transporte para o trabalhador que ganha R$ 1 mil e se desloca duas vezes por dia, passará a dispender 18,1% do seu orçamento para andar de ônibus, O aumentou provocou uma perda de 0,7% no potencial de compra desses indivíduos. "Ainda nem tive a coragem de fazer o cálculo do impacto no meu orçamento. Tenho dois filhos que são estudantes, o gasto é maior ainda. Acabo tendo que apertar nas compras do mercado, precisa cortar de alguma forma", ponderou a técnica administrativa Gesilaine Martins, 44, que diariamente se desloca do Terminal Central até o Jardim Santa Rita, na zona oeste.

O reajuste levou em consideração o fim do prazo para a isenção do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o óleo diesel para consumo na prestação do serviço, o que ocorre também em 21 municípios do estado que têm mais de 140 mil habitantes. O decreto do Governo do Estado estipulava o fim da isenção em Londrina na segunda-feira (31) e vai repercutir, também, nas tarifas de cidades como Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Curitiba. Esta decisão é responsável por R$ 0,10 do aumento na tarifa. Com o custo mais alto, os usuários já fazem as contas antes de decidir qual transporte irão utilizar. Este o caso do técnico em TI, Leonardo Massaro, 40. "Eu utilizo o transporte coletivo esporadicamente, mas acho o preço muito caro para as distâncias que percorremos em Londrina. Acho que vale a pena apenas para viajar sozinho, acima de duas pessoas, na maior parte das vezes a viagem de Uber sai mais barata", comparou.

O economista Marcos Rambalducci aponta que o sistema tarifário transporte público em Londrina precisa passar por uma revisão. Em 2016, convidado pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) o especialista já havia chegado à conclusão que o regime tornava o rendimento das empresas concessionárias inviável. "Isso ocorre toda vez que há um ingerência nas leis de mercado. Os cálculos mostravam já naquela época que não é possível que as empresas consigam a remuneração adequada ao capital investido. É preciso adotar uma planilha técnica que tenha a capacidade de abranger as particularidades do município", explicou. Segundo ele, é preciso que haja uma compensação para que nem a empresa, nem o usuário arquem com o total dos custos. "Pode ser preciso um subsídio, mas para isso é preciso haver um desenho bem claro de onde saem os recursos e para onde vai", apontou. Nesta linha de pensamento, Rambalducci explica que o usuários de ônibus causam uma redução no número de veículos na rua, desta forma, entre outras minúcias, reduz engarrafamentos e alivia a procura por vagas de estacionamento.
LICITAÇÃO SUSPENSA
O reajuste de R$ 0,30 ocorre em meio a suspensão do novo edital de licitação para transporte coletivo, que sofre uma batalha judicial e cujo desfecho deve ocorrer somente após o retorno do recesso no Judiciário, marcado para 7 de janeiro. Em dezembro, após questionamentos por parte da Transporte Coletivo Grande Londrina, o conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná, Ivens Lelis Bonilha determinou a suspensão do edital. O presidente da CMTU, Marcelo Cortez, não detalhou como será o modelo de contrato que as empresas de ônibus - TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e Londrisul - irão assinar enquanto a licitação não é concretizada. O atual contrato será encerrado no dia 19 de janeiro. "Nós fomos obrigados hoje a lançar uma nova tarifa dentro dos moldes antigos que é o que o modelo que nós queremos abandonar. O município tomou esta decisão de licitar justamente para quebrar isso", afirmou Cortez. A abertura das propostas da licitação estava marcada o último dia 26. A TCGL anunciou em novembro que não participaria da concorrência pública por considerar a proposta inviável financeiramente. (Colaboração Vitor Struck)


