Passageiros viveram momentos de pânico
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
O desespero e o terror tomaram conta dos passageiros do avião da TAM após a explosão. A maioria chorava em voz baixa e só tinha uma certeza: de que iria morrer. O rombo na fuselagem permitia a entrada de intensas golfadas de ar que, por pouco, não arrastaram pelo menos mais dois passageiros para fora do avião.
A cada trepidação, as pessoas agarravam-se aos companheiros mais próximos e muitos não conseguiam reprimir os gritos de pavor. Parecia filme de horror, recorda a estudante Kelly de Souza, de 16 anos, que embarcou com a mãe, a comerciante Amélia Rosa Silva, de 39 anos, em Vitória. Segundo Amélia, após o susto inicial, vários passageiros deram-se as mãos, formando uma corrente humana para evitar que uma moça e um homem que ficou desmaiado no corredor fossem puxados para fora. Enquanto isso, rezavam o Pai-Nosso, incentivados por uma das comissárias de bordo.
O rosto da mulher que estava sentada em uma poltrona próxima à região destruída sangrava muito por causa dos estilhaços e dos próprios cabelos que batiam com força na pele, lembra Kelly. Ela não gritava, apenas se esforçava para se manter segura. O tormento durou cerca de 15 minutos, até que o avião pousasse no Aeroporto de Congonhas. Tínhamos muito medo de que houvesse outra explosão e incêndios no momento da aterrissagem, contou o passageiro Elodir Gavati Filho, de 32 anos. Felizmente o piloto foi muito competente.
Naqueles momentos depois da explosão pensei na minha mulher e que iria morrer sem ter me despedido dos meus filhos, de 10 e 8 anos, que estavam dormindo quando saí de casa, disse o representante comercial Paulo César Tavares, de 40 anos.


