Curitiba- Pouco depois de fazer o check-in no balcão da TAM no Aeroporto Internacional Afonso Pena, na região de Curitiba, o empresário Massimo Minozzi, 53 anos, confessa estar mais tenso do que nas viagens anteriores. ''A aviação é um dos meios de transporte mais seguros, mas só nos damos conta dos perigos quando há um grande acidente'', diz. ''Por isso, é evidente que fico com um grande receio.''
Durante cinco anos, Minozzi foi diretor-geral de uma grande companhia aérea especializada no transporte de cargas e atualmente é empresário do mesmo ramo. ''Na minha vida, cabines de avião são familiares'', diz. Na última sexta, ele esperava para embarcar para São Paulo, em um vôo com destino ao aeroporto de Congonhas, palco da última grande tragédia da aviação brasileira. ''Se estivesse chovendo em São Paulo, com certeza eu não iria para Congonhas'', disse. Para amenizar o medo, o empresário se agarra ao destino. ''Eu engano o meu medo pensando que essas coisas são de destino, que acontecem quando chega a hora da pessoa'', afirma.
O gerente de vendas Jorge Herrmann, 51 anos, que constantemente viaja entre Curitiba e Porto Alegre, onde mora, também revela não se sentir confortável ao entrar em um avião atualmente. ''É inevitável ficar apreensível. Se não precisasse, eu não voaria'', declara. A apreensão levou o gerente a tomar sair da rotina. Na última sexta, antes de se dirigir à sala de embarque, ele foi à galeria do Afonso Pena de onde se podem ver os aviões pousando ou decolando. ''Nunca vim aqui. Não sei porque vim hoje, talvez tenha sido para tentar me tranquilizar'', relata. Ele afirma seguir os conselhos do presidente Lula quando entra no avião. ''Como disse o presidente, quando fecha a porta do avião, temos que entregar a alma a Deus''.
O mesmo medo, no entanto, não atingiu um grupo de estudantes de engenharia que voltava para o Rio de Janeiro depois de um simpósio em Curitiba. ''Nosso medo maior é que o vôo atrase muito ou seja cancelado'', resumiu Mariana Faber, 21 anos. Ludmylla Bastos, 20 anos, disse que pensou até em levar um colchão inflável na viagem, para o caso de precisar dormir no aeroporto. ''O jeito é desestressar'', afirma. Das três, apenas uma, Mariana Melo, 20 anos, é que confessou algum receio. ''Tenho medo que o avião caia'', disse.(R.L.)

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