Londrina - Por volta das 16 horas de ontem, a aposentada Maria de Lourdes Zequim, de 65 anos, desembarcou no Terminal Rodoviário de Londrina. Após alguns segundos de hesitação, passou com dificuldade sua bagagem por uma portinhola e deixou a catraca para trás. ''Para que isso? Eu acho que não tem necessidade'', disse ela. A londrinense Vitória Sahão concorda com Maria, que veio de Curitiba para visitar parentes.
''Esses obstáculos (catraca e portinhola) inúteis expõem as pessoas a riscos de lesões corporais. Principalmente quem é de mais idade'', argumenta Vitória, que está em campanha para que os dois ''obstáculos'' sejam retirados da rodoviária.
A luta da londrinense começou logo após sofrer um acidente na rodoviária, por causa da portinhola. ''Foi na sexta-feira, 10 de junho. Eu vim de Curitiba e cheguei aqui por volta das 6 horas da manhã. Coloquei minha mala pela portinhola e passei a catraca'', conta.
Quando foi puxar a mala, a rodinha da mala travou na portinhola.''Me desequilibrei e fui de cara no chão. Cheguei a desmaiar e em seguida fui socorrida por pessoas que viram a cena'', recorda. Ela entrou num táxi rumo ao hospital. ''Cortei os lábios internos e fraturei mais de um dente. Nunca vou esquecer isso''.
A londrinense, que é assistente social e trabalha com projetos culturais, escreveu um documento para a gerência do Terminal Rodoviário e para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), pedindo que os obstáculos sejam retirados. ''Eu já até sonhei que vim na rodoviária com uma chave de fenda e eu mesma tirei a catraca e a portinhola'', comentou.
A reportagem entrou em contato com a CMTU, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto. A assessoria disse que a carta de Sahão foi respondida.

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