São Paulo, 10 (AE) - Às 5h30, os olhos atentos dividem-se entre o relógio e os ônibus que chegam lotados. Em regiões como a da Avenida Senador Teotônio Vilela, na zona sul de São Paulo, a dúvida, é: fazer a viagem "pendurado" ou chegar atrasado no trabalho. Apesar de muitas linhas da cidade serem operadas com número insuficiente de carros, o prefeito Celso Pitta (sem partido) determinou a realização de mudanças no sistema que devem levar a uma redução da frota e produzir o chamado "efeito sardinha". Como vão receber menos subsídios, as empresas de ônibus, para cortar custos, poderão recorrer a essa alternativa.
Antes, os empresários eram ressarcidos pela prefeitura pelo total de quilômetros rodados com a frota. O dinheiro era certo no fim do mês. Agora, o aditivo contratual prevê o pagamento de apenas 80% desse total. Para compensar o "rombo" de 20%, na prática, as empresas precisar ativar o movimento de passageiros. Mas há a possibilidade de retirar ônibus de circulação.
A vendedora Maria de Fátima Felismino, que sai da Avenida Senador Teotônio Vilela (zona sul) rumo à Vila Guilherme
na zona norte, às vezes, opta por "encarar" os riscos do ônibus cheio. "Estou grávida, mas ontem (09) fui pendurada mesmo", contou. "Trabalho há 16 anos e nunca vi ônibus vazio aqui."
Como Maria de Fátima, muita gente constata, todos os dias, que o sistema de ônibus não pode ter a frota diminuída. "Eles têm é de melhorar o serviço", disse o soldador Osvaldino Paulo Bueno, ao saber dessa possibilidade. Todos os dias, às 5h45, ele está na Avenida Senador Teotônio Vilela à espera de um ônibus que o leva ao Butantã, na zona oeste.
O acordo contratual assinado entre as empresas e a prefeitura tem validade de junho a agosto. Nesse período, os empresários terão de fazer os "ajustes" entre as linhas ociosas e as de maior demanda e poderão chegar à conclusão de que é necessário cortar o atendimento em algumas regiões, reduzindo a frota ou eliminando linhas. Após esse prazo, prefeitura e empresas voltam a conversar para analisar a situação. "Se eu cortar a frota, vou estar dando um tiro no meu pé", acredita um dos sócios da Viação Penha-São Miguel, Maurício Lourenço da Cunha. O Transurb, sindicato patronal, informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que o objetivo, nesse período de corte de verba, é passar de 98 milhões de passageiros transportados por mês para 120 milhões, o que impossibilitaria a retirada de carros de circulação.
Para o secretário municipal de Transportes, Getúlio Hanashiro, não haverá queda no número de ônibus para atender à população da cidade. "Se as empresas propuserem isso, terão de solicitar a autorização da SPTrans (São Paulo Transportes)", afirma. "É uma liberdade vigiada." Para o secretário, a frota da capital é suficiente, apesar da superlotação. "É preciso apenas redimensionar o serviço."
Hoje, Pitta disse que, a princípio, não haverá redução da frota. "A economia virá do remanejamento de linhas e só será exercitada onde houver excesso de oferta."
Se forem retirados ônibus de circulação, passageiros como a doméstica Jucenice Nogueira, que sai de Santo Amaro em direção ao Terminal Bandeira, todos os dias, às 6h30, enfrentarão problemas ainda maiores do que os que têm. "Sempre espero meia hora no ponto para não ir pendurada na porta."

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