Passa bem recém-nascida de Arapongas
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terça-feira, 01 de outubro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma recém-nascida de apenas 2,4 kg foi encontrada do lado de fora da sede do Serviço de Pronto Atendimento 24 horas, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina). O caso ocorreu na noite de segunda-feira e surpreendeu médicos e enfermeiros ao serem informados que a mãe do bebê, uma adolescente de 17 anos, estava em um banheiro da própria unidade de saúde. O parto aconteceu no banheiro e ela teria jogado a recém-nascida pela janela.
A garota foi levada pelos pais até o local que atende casos de urgência e emergência. O gerente da unidade, Robilan Camargo, contou que a adolescente passou pela triagem e reclamou de dores nas costas e no abdômen. "Em nenhum momento ela disse aos funcionários que estava grávida", contou Camargo. Os funcionários também não teriam desconfiado da gravidez.
A mãe da recém-nascida usava roupas largas e não foi necessário retirar o casaco para fazer a triagem. Ela aguardava na sala de espera quando decidiu ir ao banheiro. Com fortes dores, ela teve o bebê no local. Em seguida, a garota teria atirado a recém-nascida pela janela. "O bebê caiu em um piso de concreto que fica próximo, mas estava sem lesões aparentes no momento em que foi atendido pelos médicos", afirmou.
A cozinheira que trabalha no Pronto Atendimento ouviu o choro do bebê e o encontrou. O enfermeiro Carlos Eduardo Arruda, que trabalha há quatro anos no local, contou que o caso mobilizou toda a equipe. "Nós fizemos os primeiros exames e aquecemos a criança, que chegou a ficar na chuva", disse Arruda. A janela fica na parte superior do banheiro. Segundo ele, o bebê teria sido atirado de uma altura de 1,80 metro.
A mãe da adolescente abriu a porta do banheiro e encontrou muito sangue no local. Segundo o gerente da unidade, ela não sabia da gravidez da filha que já durava nove meses.
Socorristas do Samu também auxiliaram nos atendimentos da adolescente e da recém-nascida. As duas foram encaminhadas para a Santa Casa de Arapongas. O diretor administrativo do hospital, Antônio Garcez Novaes Neto, destacou que a adolescente e a recém-nascida apresentam quadro de saúde estável.
"A criança chegou respondendo a todos os estímulos e, depois dos exames, ficou comprovado que ela não teve nenhuma lesão grave. Há sinais de um pequeno hematoma na cabeça por conta da queda, mas nada de grave foi constatado", reforçou o diretor administrativo. As duas pacientes devem ser liberadas nos próximos dias. Conforme Novaes Neto, a adolescente não fez pré-natal e a criança nasceu com 2,4 quilos, um pouco abaixo do ideal.
Medo
A Polícia Militar foi chamada para atender o caso. A mãe da recém-nascida deve responder pelo ato infracional de tentativa de infanticídio. O delegado da Polícia Civil de Arapongas, Osnildo Carneiro Lemes, destacou que foi aberto um procedimento especial para apurar o caso, já que a mãe da recém-nascida é adolescente.
"Os pais dela prestaram depoimento e contaram que desconheciam a gravidez. A mãe da garota desconfiava porque a filha é bem magra, mas disse que não conseguiu confirmar a suspeita", afirmou o delegado. A adolescente ainda teria interesse em ficar com o bebê. "Em princípio, ela tinha medo que o pai soubesse. Vamos verificar se ela teria reagido assim por conta do estado puerperal. Ela será ouvida assim que tiver alta da Santa Casa", disse Lemes. O Conselho Tutelar também acompanha o caso que será encaminhado à Vara da Infância e Juventude.
Relatório
Conforme o Código Penal, abandonar um recém-nascido é crime que pode ser enquadrado como periclitação da vida e da saúde; uma espécie do gênero "crimes de perigo". Ou seja, em vez de lesar a vítima especificamente, é criada uma situação de perigo. A pena pode ir de detenção de 6 meses a 2 anos.
A reportagem entrou em contato com o Conselho Tutelar de Arapongas, mas não obteve resposta sobre o caso da adolescente. O promotor da Vara da Infância, que deve receber o relatório do Conselho, só irá proferir qualquer decisão com os documentos de investigação e acompanhamento devidamente preenchidos. (Colaborou Marian Trigueiros)


