Brasília, 21 (AE) - O deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) entrou no fim da tarde de hoje com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da votação, amanhã (22), no plenário da Câmara, que vai decidir sobre a cassação do mandato dele. O deputado alegou que não teve amplo direito de defesa e que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara ouviu testemunhas anônimas para poder o incriminar.
Ele pediu, por intermédio do advogado Eri Varela, uma medida liminar urgente, suspendendo a sessão de amanhã da Câmara. O recurso vai ser analisado pelo ministro Ilmar Galvão, que foi juiz federal e professor da Universidade Federal do Acre.
No recurso, o deputado acusa o ouvidor agrário do governo, desembargador Gersino José da Silva Filho, ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Acre, de ter desencadeado uma série de depoimentos na CPI do Narcotráfico, acusando-o sem mostrar provas. Além disso, ele alega que todas as testemunhas apresentadas foram interrogadas sem a presença dele ou do advogado dele.
Pascoal passou a manhã no apartamento onde mora, na quadra 302 da Asa Norte, em Brasília, e recusou-se a receber jornalistas. No fim da tarde, esteve no plenário da Câmara, onde transitou sozinho. Até mesmo na sala do cafezinho, onde costumeiramente se agrupam os parlamentares, Pascoal só estava cercado de fotógrafos. A conhecidos, disse: "A coisa está feia."
"Aproveitem enquanto estou aqui", disse aos fotógrafos que o seguiam. "Quando sair daqui, as coisas mudam." Ontem (20) à noite, ele pediu a funcionários que retirassem vários pertences do gabinete que ocupa na Câmara, talvez prevendo a cassação. Estava cabisbaixo e falando pouco.
Pela manhã, os advogados do deputado anunciaram que haviam pedido asilo diplomático para Pascoal em nove embaixadas, em Brasília. A alegação seria que o deputado estaria sofrendo perseguição política. No entanto, não foram informadas quais representações diplomáticas foram consultadas. Apenas que seriam da América Latina e Europa. No Acre, os integrantes da CPI do Narcotráfico receberam, no início deste mês, informações de que Pascoal poderia ter um plano de fuga para o Peru ou Bolívia, países que fazem fronteira com o Estado. A secretária de Segurança Pública do Acre, Salete Maia, afirmou que o deputado pode estar formando um grupo de matadores para poder realizar a vingança, caso seja cassado amanhã (22).
Primo de Pascoal, o deputado estadual Aureliano Pascoal (PFL), ex-comandante da Polícia Militar, afirmou que a família não pretende realizar nenhum tipo de vingança. Aureliano Pascoal afirmou que todos estavam esperando pela cassação, mas se mantinham tranquilos. Ele ressaltou que Hildebrando Pascoal pretende voltar à Câmara, por meio da Justiça. "Vamos provar nos tribunais que ele está sendo vítima de uma armação."

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