Rio Branco, 12 (AE) - O ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) continua sendo tratado no Estado como autoridade, mesmo com o mandato cassado e preso acusado de envolvimento com o crime organizado.
É cumprimentado por juízes quando depõe na Justiça estadual e recebe continências dos ex-comandados no quartel da Polícia Militar, onde está preso desde o fim de 1999. Quando é conduzido às audiências no Fórum de Rio Branco, Pascoal não é algemado e anda sempre à frente dos policiais que fazem a escolta.
Numa audiência feita no início da semana, no Fórum de Rio Branco, Pascoal demonstrou que ainda possui diversos seguidores dentro da PM. O depoimento foi fechado para a imprensa, mas aberto a oficiais e soldados, que ocuparam as cadeiras da sala para ouvir as respostas de um Pascoal sorridente, aparentemente tranquilo, mas também ameaçador. Durante o intervalo da sessão, não quís ser filmado ou fotografado, e, aos gritos e com palavrões, avisou: "Vou mandar dar um pau nesses p...." Depois disso, Pascoal ainda intimidou os jornalistas, olhando fixamente para cada um e falava algo para o sargento Alex Fernandes dos Santos, que também estava prestando depoimento e é acusado de ser o braço direito dele no comando do crime organizado no Estado. "Muita gente ainda o respeita no Acre", afirma o superintendente da Polícia Federal (PF), Glorivan de Oliveira. Segundo fontes do Ministério Público Estadual (MPE), até mesmo um juiz pediu desculpas a Pascoal por ter autorizado busca e apreensão na casa do ex-deputado. Outro juiz, no intervalo das audiências, conversa animadamente com ele e os advogados dele.
Hoje, Pascoal chegou ao prédio da Justiça Federal num micro-ônibus da PM, com ar condicionado e sem algemas. O oficial e os soldados que faziam a escolta dele ficavam sempre atrás, aparentemente em respeito à hierarquia, uma vez que Pascoal é coronel reformado da PM do Acre. O mesmo respeito é demonstrado pelos ex-subordinados dele dentro do quartel, que lhe prestam continência diariamente ao passar pela cela.
A tranquilidade de Pascoal termina, entretanto, quando a escolta passa a ser feita pela PF, que o algema e lhe trata com indiferença.
Mesmo assim, o ex-deputado mantem-se arrogante e ameaçador. "É isso que vocês querem ver, então vejam", gritou ele para os fotógrafos, mostrando as algemas postas pelos agentes da PF, mas retiradas em seguida pelos PMs que o conduziram de volta ao quartel.
Pascoal será transferido amanhã (13) para o presídio especial federal, construido especialmente com o objetivo de abrigar os presos acusados de pertencer ao grupo dele. Ficará numa pequena cela com cama de concreto e terá direito apenas a um ventilador. O companheiro de cela dele será João de Souza Pinheiro, mais conhecido como "Nim", irmão do deputado José Alecksandro da Silva (PFL-AC), o Zé Alex, que ocupou a vaga de Pascoal na Câmara dos Deputados.

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