Brasília, 24 (AE) - O ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), acusado de chefiar o crime organizado no Estado, foi transferido no fim de semana, numa operação secreta realizada pela Polícia Federal (PF), para a Cadeia Especial Federal, de segurança máxima. O presídio ganhou portas blindadas e cercas eletrificadas para o receber. A PF não confirma, mas há informações de que a operação se deveu a denúncia de um suposto plano de fuga que seria executado por pessoas ligadas ao ex-deputado.
Pascoal será julgado nesta semana pela Justiça federal por crime fiscal. A PF decidiu manter Pascoal sozinho numa cela, ao invés de o pôr com outros presos, como havia planejado antes. Ele está sendo vigiado por meio de um circuito interno de televisão. Antes da transferência de Pascoal, determinada pelo juiz federal Pedro Francisco da Silva, a PF eletrificou toda a cerca ao redor da cadeia e pôs uma tela - também eletrificada -, onde o ex-deputado pode tomar banho de sol.
Além disso, a cadeia - na verdade, o primeiro presídio federal do País - foi reforçada com uma porta blindada que dá acesso à cela de Pascoal.
O ex-deputado poderá receber visitas duas vezes por semana e terá direito a encontros íntimos, desde que comunicados com antecedência à direção do presídio.
"Ele tem todos os direitos de um preso, mas está sendo tratado como um preso normal", afirmou o superintendente da PF no Acre, Glorivan Bernardes de Oliveira. Pascoal está numa cela com pouco menos de 12 metros quadrados, com uma cama de concreto
e teve direito apenas a um ventilador e uma televisão portátil. Por ser oficial superior da Polícia Militar e ter curso superior
é considerado preso especial, mas pouca coisa diferencia a cela dele das demais.
A transferência do ex-deputado foi feita na tarde de sábado (22). A PF esperou a diminuição do movimento em Rio Branco para levar Pascoal do quartel da PM, onde estava desde 1999, para a Cadeia Especial Federal. Vários policiais do Comando de Operações Táticas (COT) da PF participaram da operação, comandada pelo próprio superintendente.
Oliveira negou que a operação tivesse sido realizada secretamente por causa da descoberta de um plano de fuga do ex-deputado. "O juiz mandou recambiá-lo de imediato, e foi isso que fizemos", afirmou Oliveira.

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