Brasília, 22 (AE) - O deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) foi cassado hoje à noite pela Câmara, por 394 votos. O placar geral do plenário ainda incluiu 41 votos contra, 7 em branco e 25 abstenções. O deputado e os três advogados dele não compareceram à sessão para apresentar defesa e acompanhar a votação secreta, iniciada por volta das 17h30. O subprocurador da República, José Roberto Santoro, entrou hoje com o pedido de prisão temporária contra Pascoal na Justiça Federal do Acre.
Enquanto os deputados decidiam em Brasília o destino de Pascoal, em Rio Branco, o juiz federal Pedro Francisco da Silva convocava 16 agentes do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal (PF) para iniciar as prisões de 28 suspeitos - quase todos militares e ex-militares - ligados ao deputado e acusados de pertencer ao esquadrão da morte e ao narcotráfico. Entre os pedidos de prisão temporária requerida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico à Procuradoria-Geral da República, estavam o de um irmão e dois primos de Pascoal.
Temendo represálias do grupo liderado pelo deputado em reação à cassação, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, anunciou a realização de uma operação envolvendo políciais federais do COT. O cumprimento do pedido de prisão de Pascoal não ficaria atrelado à publicação da perda de mandato, no "Diário da Câmara".
Hoje, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro
confirmou que a própria divulgação pela imprensa da decisão do plenário tornou pública a medida, não sendo necessária a publicação. O deputado é apontado como o líder de um esquadrão da morte e de comandar grupo ligado ao narcotráfico no Acre.
A previsão era a de que Pascoal seria preso pouco minutos depois da sessão. O político não encontrou apoio entre os colegas parlamentares. Apenas o deputado Iédio Rosa (PMDB-RJ) defendeu Pascoal, alegando não haver motivos para o cassar por quebra de decoro parlamentar.
A PF, depois de diversos desencontros, localizou o político na Asa Sul, mas mantinha também vigilância numa casa do Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Por volta das 18h30, tenso, abatido e acompanhado pelo advogado Pedro Calmon, Pascoal saiu do apartamento na Asa Sul, dizendo seguir em direção à Câmara e avisou que estava decidido a recorrer à Justiça, caso viesse a ser cassado. Horas antes, havia perdido a última chance de tentar cancelar a sessão que iria decidir o destino dele. O ministro Octávio Galotti indeferiu um mandado de segurança impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF estava monitorando os passos de Pascoal, mas, na madrugada de ontem (21), perdeu-o de vista. O paradeiro do deputado só foi conhecido por volta das 16 horas e o deslize dos agentes criou mal-estar no Ministério da Justiça. O caso poderá causar problemas ao diretor-geral da instituição, Agílio Monteiro Filho, que estava em Manaus.
Durante o dia, Pascoal tentou pedir asilo em várias embaixadas, mas não conseguiu. Ao mesmo tempo, parlamentares da CPI do Narcotráfico faziam contatos com embaixadores da Bolívia, Peru, Colômbia, Paraguai, Venezuela e Suriname, pedindo que não dessem o asilo a Pascoal , que teria ainda tentado fretar táxi-aéreo para sair de Brasília, mas não conseguiu.

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