Pascoal é acusado de assassinato
Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O ajudante de fazenda Irineu José da Silva disse ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara que transportou drogas para o deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) por dois meses. Silva disse ainda ter visto Pascoal matando o mecânico Agilson Firmino, o Baiano, afirmou que fez vários carregamentos de drogas dentro da fazenda de Pascoal e que chegou a buscar droga com o deputado na Bolívia.
O delegado de Polícia Civil Carlos Alberto da Costa Bayma informou que Pascoal matou, pelo menos, 15 pessoas no Acre e ainda que soltou vários traficantes a pedido do deputado.
Em apenas dois meses, segundo Silva, vários aviões despejaram diversas caixas com drogas dentro da fazenda do deputado, carregadas e entregues a policiais que, supostamente, redistribuíam no Acre.
O ajudante afirmou que fazia sinalização com uma bandeira vermelha para identificar o local exato em que os aviões despejavam a droga. Ele só teria descoberto se tratar de droga depois que outros dois auxiliares do deputado erraram o horário da entrega e, na falta de sinalização, uma das caixas bateu numa árvore e caiu no igarapé. Silva contou que o deputado ficou irritado, prendeu-os, matou-os e sumiu com os corpos dos dois rapazes, dentro da própria fazenda.
Silva contou em detalhes sobre uma viagem que fez à Bolívia, na companhia de Pascoal. Disse que foram de caminhão e, depois, pegaram uma balsa para atravessar um rio e chegar ao local onde estava a droga, acondicionada em tambores enterrados no chão. O ajudante de fazenda disse que foi sozinho onde estava a droga e que Pascoal esperou no caminhão, supostamente na fronteira do Brasil.
O deputado, segundo ele, foi quem deu os dois tiros em Baiano, depois que este teve os braços e as pernas serrados com motosserra. Silva disse que decidiu contar tudo à CPI do Narcotráfico depois que Pascoal matou o irmão dele, Márcio Silva. José da Silva tinha prestado depoimento à CPI no Acre, mas encapuzado. Hoje, ele resolveu tirar o capuz.
O delegado Carlos Alberto Bayma afirmou que o deputado federal queria chegar ao cargo de Secretário de Segurança Pública daquele Estado e, depois, ser eleito governador. A cassação do mandato de Pascoal deverá ser votada no plenário da Câmara dia 21 ou dia 23.





