São Paulo- Neste ano, os ovos de Páscoa da maioria das empresas que fazem parte da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAD) ainda não virão com a descrição da quantidade de gorduras trans, revela o presidente da ABICAD, Getúlio Ursulino Netto. ‘‘Essas embalagens foram encomendadas em junho do ano passado, mas não vemos problemas nas mudanças da Anvisa, quanto mais o consumidor for informado, melhor para nós.’’, diz Netto.
  A mudança na regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a qual Netto se refere é a Resolução RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003, que estabelece que todos os alimentos embalados especifiquem na rotulagem nutricional a quantidade de calorias, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e sódio. A norma vigora desde então, mas as empresas têm até 31 de julho de 2006 para se adequarem a ela.
  Já acostumados a calcular a quantidade de calorias, ou valor enérgico, e mesmo a observar as porções de fibras e gorduras totais dos alimentos - a dieta dos ‘‘Vigilantes do Peso’’, por exemplo, tem até uma tabela que pontua os produtos industrializados baseando-se nesses três dados - agora o consumidor se depara com uma novidade: a quantidade de gordura trans. Mas o que é gordura trans?
  Considerada por muitos com cruel inimiga das dietas e da saúde, especialistas explicam que a trans é tão prejudicial ao organismo quanto à famosa gordura saturada - que é semi-sólida, esbranquiçada e compõe os embutidos (mortadela, salame, presunto, copa etc). O nome gordura trans vem da ligação química apresentada, e embora esteja presente também em produtos in natura, como carnes e leite, é muito consumida através de produtos industrializados, em sua forma hidrogenada.
  O Presidente a Associação Brasileira de Nutrologia
(ABRAN), Durval Ribas Filho, explica que um processo industrial de hidrogenação catalítica faz com que um ácido graxo insaturado - que é liquido - seja transformado em sólido ou semi-sólido - assim formando a gordura trans. ‘‘Ela dá uma textura agradável aos alimentos’’, diz o médico.
  A professora da área de nutrição básica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Patrícia Faria Di Pietro, diz que esse processo foi adotado em grande escala pela indústria alimentícia porque uma gordura quimicamente mais dura fornece aos alimentos um aspecto crocante, sequinho. Segundo a nutricionista, bolachas e salgadinhos chips são bons exemplos de produtos ricos em gordura trans. ‘‘Antigamente todo mundo não fritava com banha? É a mesma coisa, a trans proporciona um bom aspecto, a textura é agradável’’.

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