Londrina - A manhã de ontem foi mais que especial para um grupo de jovens capoeiristas do Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina). As cerca de 60 crianças e adolescentes foram surpreendidos por um café da manhã e presenteadas com ovos de Páscoa, doados por clientes de uma academia de capoeira da cidade.
O grupo participa do projeto social 'Viva meu mestre', que com seis meses de atividades tem ajudado a tirar crianças carentes das ruas, trazendo mais alegria, saúde e conhecimento sobre a cultura afrobrasileira por meio da capoeira.
É o caso dos quatro filhos da dona de casa Raílde Adelina de Sousa, que, sem nada para fazer aos finais de semana, ficavam brincando nas ruas do bairro, onde moram há 10 anos. ''Eu me preocupava com as companhias, mas não tinha como eu prendê-los dentro de casa. Eles queriam se divertir com os colegas, fazer alguma atividade diferente. E o projeto caiu como um luva'', afirma Raílde, mãe dos jovens capoeiristas Wigma, 18 anos, Túlio, 15, Raí, 10, e Pablo Henrique, 7.
Raílde explica que com o projeto as crianças têm melhorado o desempenho escolar e se comportado bem mais. ''Eu fico satisfeita, porque, além de praticarem uma atividade física que faz bem para a saúde deles, as crianças se esforçam na escola. Isso porque eles sabem que se não tiverem boas notas podem perder a vaga no projeto'', enfatiza.
''Para ficar no projeto, a gente tem que ter disciplina e se esforçar muito. Mas isso é bom. A gente sabe que será importante para nosso futuro'', confirma Wigma.
Todo o trabalho social é coordenado pelo casal de professores Edison Rocha, conhecido como ''Mestre Padeiro'', e Gercilene da Silva, proprietários da academia de capoeira Maculelê. As aulas são realizadas aos sábados, das 14 às 15 horas, e aos domingos, das 10 às 11h30.
Durante as aulas, os alunos fazem aquecimento, alongamento, aprendem sobre a história da capoeira e a tocar instrumentos característicos para o jogo, com o berimbau. ''Trabalhamos em parceria com as unidades de saúde, quando precisamos fazer alguma palestra sobre cuidados básicos com a saúde'', explica Gercilene, que é pedagoga. Ela revela ter se mudado com a família para o bairro justamente para poder desenvolver o projeto social com crianças carentes.
Segundo Rocha, além do bom desempenho escolar, os professores exigem que os alunos tenham bom comportamento em casa para continuar no projeto, o que tem orgulhado os pais dos pequenos. ''Eles nos agradecem pelo trabalho, dizem que antes seus filhos eram muito agressivos, que respondiam e agora estão bem melhores. Os pais sabem que essa é uma iniciativa importante para garantir que seus filhos se tornem cidadãos de bem'', destaca.
''O mais legal é que a gente aprende ao mesmo tempo que se diverte aqui, tia'', diz Dayan de Sousa, 7 anos. Diversão que parece atrair até os mais experientes. ''Olha só a agilidade com que eu movimento as pernas, nunca que eu conseguiria isso antigamente'', afirma a aposentada Santa da Silva Adriano, 71 anos.
Serviço - Não há limite de idade para participar do projeto. Os interessados podem ligar para (43) 3329-2400. Mais informações sobre o projeto no www.maculelepadeiro.com.br

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