Páscoa abre empregos temporários
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sábado, 17 de março de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Faltando menos de um mês para a Páscoa, grande parte dos supermercados, lojas de departamentos e segmentos comerciais de gêneros alimentícios já montou seus varais de exposição de produtos temáticos com ovos e bombons de chocolate. É nesse período que a indústria do setor contrata o maior número de trabalhadores temporários no ano. São distribuidores, motoristas, promotores de venda e estoquistas para a venda de milhares de toneladas de chocolate nas próximas quatro semanas. A expectativa é que na região de Curitiba pelo menos 3 mil pessoas conseguirão trabalho temporário até a Páscoa, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana.
Karin Fabíola Carlesse, 20 anos, é uma delas. Ela conseguiu o seu primeiro emprego esse ano. Está trabalhando como expositora de chocolates em uma loja Big da rede Sonae em Curitiba. Como ela, muitos jovens têm na Páscoa a oportunidade para conseguir uma renda extra.
A maior fabricante de chocolates nacional, Garoto, já contratou 1,1 mil pessoas para trabalho temporário no Sul do País. Desse total, cerca de 40% estão no Paraná. Toda a produção da Garoto é concentrada em Vitória, capital do Espírito Santo, mas a empresa possui uma gerência regional para o Sul do País em Curitiba, onde funciona um centro de distribuição.
A Kraft Brasil, detentora da marca Lacta, é uma das principais multinacionais fabricantes de chocolate para a Páscoa no Brasil. A assessoria de imprensa da empresa informou que foram contratados 2,7 mil trabalhadores temporários.
De acordo com o assessor da presidência do Sindicato dos Empregados do Comércio de Curitiba e Região Metropolitana, Iran Dias, a Páscoa gera cerca de 3 mil postos de trabalho no comércio regional. Isso representa cerca de 10% a mais do quadro efetivo de funcionários do setor. Se comparado com o Natal, esse índice é baixo, mas temos que considerar que apenas alguns segmentos são beneficiados pela Páscoa e não todo o comércio, como acontece em dezembro, diz. No Natal, as vagas temporárias representam 40% a mais do quadro efetivo de funcionários, passando dos 10 mil novos postos de trabalho.
Outra particularidade é que a indústria é o maior contratante de trabalhadores temporários e não o comércio. Os fabricantes e distribuidores de ovos de Páscoa fornecem estrutura para apresentação e reposição de seus produtos para os revendedores de porte médio e grande. No caso da Páscoa, é a indústria que faz tudo, explica o vice-presidente para assuntos corporativos da Associação Comercial do Paraná (ACP), Elcio Ribeiro.
O setor de supermercados é que o mais lucra com a Páscoa. Só nas 37 lojas do grupo Sonae no Paraná, cerca de 400 pessoas vão trabalhar para os fabricantes de chocolate como repositores, promotores de vendas e estoquistas. Nas lojas Mercadorama há 4,5 mil metros quadrados de área de exposição de chocolate. A empresa pretende vender 200 toneladas de ovos e bombons.
O trabalho informal com a produção artesanal de ovos de Páscoa é outro filão desse período. Esse tipo de atividade tem crescido todos os anos.


