Brasília, 28(AE) - Os parlamentares do PSDB e do PFL não querem a substituição do ministro da Fazenda, Pedro Malan, pelo ministro da Saúde, José Serra, no comando da área econômica do governo. As bancadas dos dois partidos estiveram hoje no Ministério da Fazenda, prestando apoio à atual equipe.
"O ministro José Serra vem fazendo um excelente trabalho à frente do Ministério da Saúde, e deve permanecer lá", disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE). "Malan não pode ser dispensado de jeito nenhum, porque tem grande credibilidade e sua permanência é fundamental para a estabilidade do real." "Seria muito ruim uma mudança no rumo da política econômica, e não é bom um ministro da Fazenda com os olhos só em 2002", disse o vice-líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA).
A possibilidade de troca de Malan por Serra foi desmentida pelo ministro das Comunicaçäes, Pimenta da Veiga. "Isso não tem fundamento e, na nossa visão, não merece sequer ser rebatido." O ex- ministro do Planejamento e deputado federal Antônio Kandir (PSDB-SP) negou que haja divisão dentro do partido em relação à condução da política econômica. Ele disse, porém, que a manutenção de Malan é essencial para manter o apoio da comunidade internacional.
"O que precisa ser entendido é que interlocutores não se formam de uma hora para outra; por isso, manter Malan é fundamental." As principais lideranças do PSDB foram recebidas em almoço no Ministério da Fazenda, e a ausência de Serra foi notada. "Não estava no programa, mas eu poderia perfeitamente ter ido", disse Serra. Ele explicou que tinha outro compromisso e afirmou que concorda com a posição do partido, de dar apoio a Malan. "Minha posição é a do presidente da República, de apoiar e prestigiar o ministro Malan", disse.
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), foi ainda mais longe. "Serra é quem estimulou esse encontro", disse. "E é quem defendeu o ministro Malan, principalmente para que fique com a credibilidade garantida". Neves explicou que o encontro teve como objetivo "sepultar qualquer especulação" sobre a troca no comando no Ministério da Fazenda. "A alma de Malan é mais tucana que a de qualquer outro", brincou.
Parlamentares do PFL reuniram-se com Malan pela manhã, e a bancada do PSDB participou de almoço com o ministro. O ministro estava tranquilo e bem-humorado, conforme os parlamentares. Malan já havia demonstrado sua boa disposição ao chegar ao trabalho, quando comemorou a vitória de seu time, o Fluminense. "Maravilha!", disse, ao saber da vitória de 4 a 2 ante o Vasco.
Novas medidas - A bancada do PSDB prometeu apoio a Malan na aprovação de novas medidas que se tornem necessárias. Os tucanos temem que a inflação fuja ao controle, extinguindo o principal capital político do presidente Fernando Henrique Cardoso e do próprio PSDB. "A inflação, este ano, não pode chegar a dois dígitos", disse Aécio Neves. Ele afirmou que, para evitar a volta da inflação, o partido apoiará a aplicação de "remédios amargos", se for necessário. No entanto, isso vale somente para medidas tradicionais de política econômica, que não incluem confisco ou congelamento. "Não demos um cheque em branco a Malan; o cheque em branco quem deu foi o povo ao presidente Fernando Henrique", disse.

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