São Paulo, 23 (AE) - Um dia após o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Armando Mellão (PMDB), ser denunciado à Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPE), a principal preocupação dos vereadores foi o impacto na já combalida imagem do Legislativo municipal. Hoje o principal assunto em plenário foi o seu possível afastamento da presidência da Casa. Mellão foi denunciado sob suspeita de formação de quadrilha e concussão (crime de extorsão cometido por funcionário público).
O PT propôs a Mellão que pedisse licença do cargo até que a Justiça decida se aceita ou não a denúncia. A proposta foi feita pelo líder do partido na Câmara, vereador José Eduardo Martins Cardozo, durante uma reunião entre os líderes das bancadas e Mellão, antes da sessão. Todas as bancadas iriam reunir-se para discutir o assunto.
O vereador Wadih Mutran (PPB) também apóia o afastamento temporário. "Ele poderia pedir uma licença sem prazo para dar maior liberdade na análise do processo", justificou. "Depois, se o juiz arquivar o processo ou retirar a acusação, ele assume novamente."
Grande parte dos vereadores preferiu a cautela e afirmou que qualquer medida só poderá ser tomada após uma decisão do Tribunal de Justiça em relação à denúncia. Mesmo assim, admitem que a decisão dos promotores pode causar danos irreversíveis à atual legislatura.
"A instituição ficou ainda mais abalada", disse a vereadora Myryam Athiê (PMDB). "Neste momento, não sabemos se acreditamos na Polícia Civil, que inocentou o vereador, ou no Ministério Público, que o denunciou.""Será o processo mais delicado que já enfrentamos, pois se trata do representante mais importante da casa", disse Salim Curiati Júnior (PPB).
Outro vereador da bancada governista, que não se quis identificar, lembrou que qualquer julgamento será mais político do que técnico. Ele tem mais de 35 amigos, ironizou, lembrando a frase do vereador José Izar (PST), quando foi absolvido no processo de cassação do seu mandato.
Renúncia - Assessores de Mellão negaram que ele pense em renunciar ou afastar-se da presidência, pelo menos antes da denúncia ser analisada pelos juízes. Segundo um assessor, os vereadores estão mais preocupados com o futuro político deles nas próximas eleições do que com a imagem da Câmara.
Discurso - Hoje Mellão fez um discurso em plenário defendendo-se das acusações, mas não falou com a imprensa. Foi sua primeira aparição pública depois de ser denunciado, ontem. Em menos de dez minutos, Mellão procurou salientar o trabalho da Polícia Civil nas investigações, que não apresentou uma acusação formal contra ele.
"Não peço que acreditem em mim", disse. "O que peço aos meus colegas é que acreditem na Polícia Civil, onde os trabalhos foram encerrados e, em momento nenhum, no seu relatório final, a polícia envolve o nome deste vereador em qualquer tipo de bandalheira."Em relação ao Ministério Público Estadual, o parlamentar disse que prefere acreditar que a denúncia "foi um equívoco do promotor que a fez".
Mellão lembrou que as investigações sobre prováveis esquemas de cobrança de propinas na Administração Regional de São Miguel Paulista duraram 11 meses, no ano passado. Nesse tempo, segundo ele, sua vida foi vasculhada, mas não foi encontrada nenhuma prova de que ele tivesse participação em esquemas de extorsão de dinheiro ou outras irregularidades administrativas.

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